Salvatore entrou com a calma habitual, vestiu o pijama e se deitou ao meu lado. O cheiro de seu perfume invadiu o espaço, familiar demais para que eu pudesse ignorar sua presença. Fechei os olhos, mas não consegui conter a amargura que me queimava por dentro.
— Você deve estar feliz, não é? soltei, rancorosa. Agora poderá ficar com sua amada Lívia.
Recebi apenas silêncio. Longo, pesado, como se ele estivesse medindo cada palavra antes de falar. Pensei que não responderia, mas então sua voz cortou a escuridão:
— Você também deve estar muito feliz, afinal foi você a responsável pela decisão do meu pai.
Abri os olhos, encarando o teto.
— Eu, a responsável? O que queria? Que continuasse te dividindo com outra mulher? Ou melhor, dividindo não... já que ela te tem por completo e eu só te tenho nos papéis.
Ele se virou de repente, os olhos fixos nos meus. Tentei desviar, mas sua mão firme segurou meu queixo, obrigando-me a encará-lo.
— E você queria que eu fosse seu por completo? perguntou,