O peso do silêncio no corredor era quase tão sufocante quanto a fumaça do charuto do meu pai que ainda impregnava minhas roupas. Olhei para Helena, e pela primeira vez, não vi a mulher que eu resgatei das promessas vazias de uma vida comum. Vi uma Mancini. Não pelo sangue, mas pela têmpera.
As palavras de Richard ainda martelavam na minha nuca: "Se você não der a ela um lugar à mesa, ela vai tomar a cabeceira". Ele estava certo. E se ela fosse tentar tomar o poder sozinha, ela morreria. Se eu a mantivesse no escuro, ela seria assassinada por um erro que eu poderia ter evitado.
— Tudo bem ! eu disse, a voz rouca, sentindo o gosto amargo da derrota e, ao mesmo tempo, uma faísca de orgulho que eu tentava esmagar. — Se você quer entrar no inferno, não vai entrar descalça.
Segurei seu pulso com firmeza, não para machucá-la, mas para guiá-la. Levei-a até o final do corredor, onde uma porta de carvalho escondia o acesso ao porão fortificado da mansão. O ar ali era mais frio, com o cheiro