Luna
A casa da cidade nunca pareceu tão silenciosa.
E não era porque faltava som.
Era porque, pela primeira vez, eu estava prestando atenção em algo que sempre esteve ali.
No fim do corredor.
À esquerda.
A porta.
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Eu já tinha passado por ela inúmeras vezes.
Indo para o quarto.
Voltando do banho.
Falando ao telefone, distraída, deixando os passos me levarem automaticamente pelos caminhos que já conhecia.
Sempre ali.
Sempre fechada.
Sempre… fora de alcance.
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Marco nunca tinha precisado repetir.