Mundo de ficçãoIniciar sessão—Fale! O que ele quis dizer com se preocupar em me manter viva? Já não basta terem me empurrado para esse casamento, agora pretendem me deixar às cegas?
Frederico suspirou e olhou para a filha. —Não é nada com que você precise se preocupar. —Aquele homem disse para eu me manter viva, para esperar as consequências de carregar o sobrenome Valentino. Aquilo foi claramente uma ameaça, então não venha me dizer que eu não deva me preocupar! Serafina se virou para o irmão. —Fale! O que ele quis dizer com isso? Fabiano olhou para o pai e para a mãe, que baixou o olhar. Ela não conhecia muito daquele mundo, mas, já que a estavam empurrando para aquilo, pelo menos tinha o direito de saber onde estava entrando. —O Damian é o sucessor do Don, ou seja, o próximo chefe da família Valentino. E, nesse meio, sempre há pessoas nas sombras tentando atacar a cabeça de uma família... ou pessoas próximas dele. Serafina deixou os ombros caírem. —Está dizendo que... por ter me casado com ele, eu vou me tornar um alvo para os inimigos dele? —Você não será um alvo — disse Frederico, cortando os dois. —O Damian abriu mão de seu lugar como herdeiro e sucessor do cargo de capo. Então, você não será mais um alvo. Provavelmente, após a renúncia dele, as coisas se tornem conturbadas dentro da família. Mas ninguém irá atrás de você. Para eles, você será apenas a esposa do herdeiro aleijado. Serafina baixou o olhar, e seu coração começou a desacelerar. Não sabia se ficava feliz, triste ou aliviada ao ouvir aquilo. Mas, desde que ficasse o mais longe possível de toda aquela confusão deles, melhor. A breve celebração continuou sem a presença do noivo, que se ausentou desde que os papéis foram assinados. Era apenas uma comemoração simbólica, com familiares e parceiros próximos para testemunharem aquela união. Aos poucos, os convidados começaram a sair, e Serafina se despediu de todos eles sozinha, sem um noivo ao seu lado. —Meu amor, nós estamos indo. Fique bem, está bem? — disse Amélia, despedindo-se da filha. —Está bem, mãe. —Se precisar de algo, não hesite em nos ligar. Você não está sozinha — disse Fabiano, segurando as mãos da irmã. —Pode deixar. Serafina olhou para o pai. —Não há nada com que se preocupar. Você estará mais protegida aqui, dentro da família Valentino, do que em qualquer outro lugar. Serafina apenas suspirou internamente, desistindo de esperar qualquer afeto ou palavra de consolo vinda dele. —Senhorita Serafina. Don Falconi está a esperando no escritório. —Vamos indo. — Frederico voltou a olhar para a filha. — Se comporte. Serafina viu os pais saírem pela porta, deixando-a sozinha naquele lugar. Ela soltou um suspiro e olhou para as escadas. Enchendo-se de força e coragem, subiu os degraus e caminhou pelo corredor até chegar ao escritório do Don. Diante da porta, Serafina deu duas batidas e ouviu a autorização vinda de dentro. —Entre. Ela assim o fez e, ao atravessar a porta, sentiu a atmosfera dominante do local envolvê-la e oprimi-la. Caetano olhou para a jovem e indicou a cadeira à sua frente. —Sente-se. Serafina caminhou até a cadeira e se sentou, reta e rígida, com toda a tensão acumulada em seu corpo. —Imagino que os seus pais já tenham lhe informado sobre a dívida que a sua família tem com os Falconi e sobre como ela deve ser paga. Serafina franziu o cenho, confusa. —Eu já estou casada com o Damian, não é isso que queriam? Caetano se levantou da cadeira, caminhando lentamente pela sala. —O casamento é apenas a parte formal do acordo. Caetano parou diante da jovem. —Esta tudo especificado no contrato de casamento que você assinou. O homem caminhou lentamente na direção dela. —A dívida só estará realmente paga quando você der à luz um herdeiro dos Falconi. Um filho seu e do Damian. Serafina arregalou os olhos, encarando o velho. —O quê? C-como assim um filho meu e dele? Caetano voltou a caminhar, retornando para trás da mesa. —A sua família tirou uma vida da nossa família e, para evitar uma guerra, ofereceram uma de suas filhas para gerar um herdeiro e pagar a dívida. Então, você deve engravidar do Damian, carregar o filho dele em seu ventre, dar à luz e criar a criança até os cinco anos. E então... Caetano fez uma pausa, voltando a se sentar. —Você será livre para partir. Serafina franziu o cenho, atordoada com todo aquele absurdo. Engravidar? Dar à luz? Criar uma criança? E depois partir e deixar o filho ali? O que eles achavam que ela era? Uma chocadeira? —Então, a partir de hoje, você tem exatamente 365 dias para engravidar. E, de preferência, deve engravidar dentro dos próximos dois meses. Assim, terá nove meses para gestar e ainda restará um mês para... O homem parou por um segundo, parecendo divagar nos próprios pensamentos. —Enfim. Isso é tudo que você precisa fazer enquanto estiver nesta casa. Caetano se recostou na cadeira, mantendo o olhar fixo na jovem. —E espero que não tente fazer nenhum truque. Periodicamente, um médico virá examiná-la. E, caso não engravide estando saudável... nós a devolveremos à sua família, e o acordo será anulado. Serafina apertou o vestido entre os dedos. —Já pode se retirar. O Damian está esperando por você no quarto. Serafina abriu os lábios, mas nenhum som saiu. Queria contestar aquelas ideias absurdas, mas sabia que de nada adiantaria. E que os enfrentar apenas culminaria com armas apontadas para sua cabeça. Ela se levantou e fechou a porta atrás de si, permanecendo ali parada, nervosa, confusa e com medo. Como era suposto ela se deitar e ter relações com aquele homem? E se deixar engravidar? Ela sequer tinha tido relações com um homem antes, e sua primeira vez seria... com ele? Seu rosto ruborizou, suas orelhas esquentaram, e seu corpo inteiro se sentiu estranho. “Isso é loucura. Eu não consigo fazer isso de jeito nenhum!” —Senhorita — uma voz feminina chamou por ela. Serafina se assustou, saindo abruptamente de seus pensamentos, e se virou para a mulher que parecia ser a governanta, encarando-a séria, com uma expressão rígida. —O senhor Damian a espera. Ela apertou os punhos, sentindo as unhas perfurarem suas palmas. —Por favor, me acompanhe. A mulher virou-se, e Serafina seguiu atrás dela. —Este é o seu quarto. A porta ao lado é o quarto do senhor Damian. Se arrume e depois vá para lá. Se precisar de algo ou alguma orientação, pressione o botão vermelho do interfone e eu pessoalmente a atenderei. Serafina acenou lentamente. —Com licença. A mulher curvou a cabeça e se retirou. Serafina entrou no quarto e fechou a porta, encostando-se contra ela. Então notou algo sobre a cama. Ao se aproximar, viu um vestido de dormir vermelho-vinho, com rendas nas bordas, nada discreto e muito menos modesto. Ela pegou a peça de tecido fino e sentiu seu rosto voltar a ruborizar. Queriam que ela vestisse aquilo? Na frente de um homem que era praticamente um estranho para ela? Serafina soltou a peça e começou a caminhar pelo quarto. Com uma mão na cintura e a outra variando entre seu cabelo e sua boca. Realmente tinha de fazer aquilo? Como faria aquilo? Como era suposto entrar no quarto dele e se oferecer daquela forma? E como seria o ato estando ele em uma cadeira de rodas? Ele sequer conseguiria? Todas aquelas perguntas apenas a apavoravam ainda mais, deixando-a nervosa e sem coragem alguma para fazer aquilo. Batidas foram dadas na porta, e ela se virou naquela direção. —Senhorita, já está pronta? — a voz da governanta soou do outro lado. Talvez tivesse percebido sua demora. —Eu... estou quase pronta. Me dê só mais 30 minutos... ou 30 anos... — murmurou a última parte para si mesma. —Por favor, se apresse. O senhor Damian tem um horário de sono fixo e rigoroso. —Tá, eu já vou. Serafina foi até o banheiro, tomou um banho e passou os cremes disponíveis ali. Logo voltou para o quarto e vestiu aquela coisa, sentindo-se estranha. Rapidamente, pegou o robe do conjunto, amarrou-o três vezes na cintura e suspirou antes de abrir a porta e sair do quarto. A mulher lançou um olhar avaliativo sobre ela e permaneceu ali parada, como se estivesse garantindo que Serafina realmente entraria no quarto dele. Sem opção, Serafina caminhou até a porta ao lado, bateu duas vezes, e a voz grave ecoou lá de dentro, enviando um arrepio estranho por todo o seu corpo. —Entre. Ela parou por alguns segundos, soltou o ar tentando relaxar os ombros e então inspirou novamente antes de abrir a porta e entrar. Seu olhar caiu imediatamente sobre a cadeira de rodas vazia e então seguiu para a cama, onde o homem estava sentado, encostado na cabeceira, vestindo um robe de seda azul-escuro fechado até o topo, e as pernas esticadas sobre a cama, vestindo uma calça de dormir escura e meias da mesma cor. Os olhos azuis dele se fixaram nela, sem emoção alguma, como se deixassem claro que ela não era bem-vinda. —Feche a porta. A voz dele voltou a ecoar pelo quarto, fazendo seu corpo nervoso e tenso estremecer. Serafina assim o fez, mas não conseguiu se mover, apenas baixou o olhar, sem saber o que fazer a seguir. —Vai ficar aí parada? Ou quer que eu mesmo vá até você? O humor seco pairou no ar, fazendo-a levantar a cabeça e encontrar novamente o olhar gelado fixo nela. —Se aproxime. Eu não tenho a noite toda. Vamos terminar com isso de uma vez. Serafina apertou os dedos contra o tecido, nervosa, enquanto se aproximava lentamente da cama. Seu coração batia acelerado demais, e ela podia ouvi-lo ecoar em seus ouvidos. Damian observou a mulher se aproximar, rígido, sério e profundamente desgostoso de toda aquela situação. Ele a viu parar na borda da cama sem conseguir encará-lo. Conhecia muito bem aquela postura, aquela energia. Era a mesma que via em seus rivais derrotados... tremendo de medo por suas vidas. “Por que ela está tão nervosa? Será que ela nunca fez isso antes?” Um nervosismo estranho tomou conta do corpo dele. Seu rosto se franziu, mas, antes que pudesse pensar demais, seus olhos se abriram, surpresos. Serafina puxou a fita do roupão, e o tecido caiu lentamente de seu corpo até o chão, revelando seus braços e pernas expostos. Ela finalmente levantou o olhar, encarando o homem à sua frente. Se não tinha outra opção, queria acabar com aquilo de uma vez.






