Daniel
Eu fiquei muito tempo olhando para aquele envelope antes de abrir.
Ele parecia mais pesado do que realmente era. Como se tudo que eu não sabia sobre mim estivesse ali dentro, comprimido em algumas folhas de papel. Minhas mãos tremiam. O quarto estava silencioso demais. A casa inteira parecia prender a respiração comigo.
Sentei no chão, encostado na cama do homem que eu chamei de pai a vida inteira.
Do homem que me criou.
Do homem que morreu sem me contar a verdade.
Abri o envelope devagar.
A letra era dele. Eu reconheceria em qualquer lugar. Forte, reta, sem enfeite. Era a letra de alguém que sempre soube o que estava fazendo. Ou que pelo menos fingiu muito bem.
“Daniel,
Se você está lendo isso, é porque eu não estou mais aí para te explicar pessoalmente. E por isso, antes de qualquer coisa, me perdoa.”
Meu peito apertou na hora.
“Eu nunca quis te machucar. Nunca quis que você crescesse sentindo que não pertencia a essa família. Porque, meu filho, você sempre pertenceu.”
As lág