Pamela
Eu fiquei sozinha na sala depois que a polícia levou o Daniel. Sozinha de um jeito estranho, pesado, como se a casa tivesse ficado grande demais de repente. O silêncio era absurdo. Não tinha choro de bebê, não tinha brinquedo no chão, não tinha risada, não tinha nada. Só eu, o sofá e aquela sensação de que arrancaram um pedaço de mim.
Eu chorei. Chorei sentada. Chorei deitada. Chorei abraçando uma manta que ainda tinha o cheiro da Isabela. Meu corpo doía inteiro, como se eu tivesse levado uma surra por dentro. A cabeça latejava. O coração parecia um animal preso, batendo contra as costelas.
Caleb tinha saído para acompanhar os detetives. Eu entendi. Eu também não conseguiria ficar parada. Mas alguém precisava ficar ali, esperando uma ligação, um sinal, qualquer coisa. Sobrou pra mim.
Peguei o telefone com a mão tremendo. Passei o dedo pela tela sem saber direito quem ligar. Minha sogra… não. Não agora. Vitória já sabia. Bernardo também. Eu precisava falar com alguém que fosse s