Eu não estou sozinha...

Pamela

Quando eu abracei a Valentina, foi diferente de todos os outros abraços que eu tinha dado nos últimos dias. Não foi aquele abraço desesperado, pedindo socorro. Foi um abraço de reconhecimento. De pertencimento. Como se, no meio do caos, eu tivesse encontrado um pedaço de chão firme.

Eu apertei ela forte. Forte mesmo. Como se tivesse medo de que ela sumisse também.

— Obrigada… — eu falei com a voz abafada no ombro dela. — Obrigada por vir.

Valentina respirou fundo antes de responder. Eu senti o corpo dela tremer levemente.

— Eu demorei demais pra fazer isso, Pamela.

Eu me afastei um pouco e olhei pra ela. Os olhos dela estavam cheios de lágrimas, mas tinha algo diferente ali. Culpa. Muita culpa.

— O que você quer dizer?

Ela passou a mão no rosto, nervosa. Andou alguns passos pela sala, como se não soubesse onde colocar o próprio corpo. Depois voltou e ficou na minha frente.

— Eu sempre fui uma péssima irmã — ela disse, direto, sem rodeio. — Sempre.

Meu peito apertou.

— Valentina
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