Caleb
A polícia chegou rápido demais e, ao mesmo tempo, parecia que nunca chegaria. Eu lembro do som das sirenes cortando o ar como uma lâmina, da Pamela encolhida no sofá, abraçando o próprio corpo, como se pudesse segurar o mundo para não desabar. Eu estava de pé, com o Daniel sentado no chão, derrotado, a cabeça baixa, as mãos sujas de sangue seco do soco que eu tinha dado nele.
Quando os policiais entraram, a casa mudou de energia. Aquela sensação de impotência virou algo mais frio, mais duro. Procedimento. Ordens. Vozes firmes.
— Senhor Caleb Belmont? — um deles perguntou.
— Sou eu — respondi, sem tirar os olhos do Daniel.
Eles olharam a cena inteira em segundos. Pamela chorando. Daniel no chão. Eu tremendo de raiva.
— Ele quer confessar — eu disse. — Tudo.
Daniel levantou o rosto devagar. Os olhos vermelhos, inchados, vazios.
— Eu vou falar — ele disse. — Tudo. Não vou esconder mais nada.
Os policiais se entreolharam. Um deles pediu para sentarmos. Outro começou a gravar. Antes