Daniel
Acordei antes do despertador. O quarto ainda escuro, o corpo pesado, a cabeça já ligada a mil. Fiquei alguns segundos olhando pro teto, tentando controlar a respiração. Mais um dia. Só mais um dia fingindo que tudo era normal.
Levantei. Banho rápido. Água fria no rosto. Me olhei no espelho e vi o mesmo Daniel de sempre. Roupa simples. Cara cansada. Ninguém ali via o que realmente estava acontecendo por trás daquele teatro.
Desci, tomei um café qualquer. Nem senti o gosto. Meu celular estava do lado da xícara o tempo todo. Silencioso. Quieto demais.
Cheguei ao trabalho no horário de sempre. Cumprimentei quem cruzou meu caminho. Dei bom dia. Sorri quando precisava. Por dentro, eu só pensava em uma coisa: controle.
Sentei na mesa. Abri o computador. Respondi e-mails. Organizei arquivos. Fiz ligações que não significavam nada. O mundo seguia normal demais para o caos que eu carregava por dentro.
De vez em quando, minha mão ia sozinha até o bolso. Conferia o celular. Nada.
O relógio