Daniel
Eu fechei a porta de casa com mais força do que precisava. Joguei as chaves em cima da mesa e passei a mão no rosto. Minha cabeça estava um caos. Ódio, ansiedade, pressa. Tudo misturado.
Peguei o celular quase no automático. O número já estava ali, fixo. Eu mesmo tinha mandado salvar daquele jeito. Respirei fundo e liguei.
Chamou duas vezes.
— Fala — a voz do outro lado era seca, grossa.
— Sou eu — disse. — Quero saber das crianças.
Houve um pequeno silêncio. Aquilo sempre me irritava.
—