Valentina
Eu chorei a noite inteira.
Chorei de raiva, de nojo, de decepção. Chorei porque tudo que eu acreditava sobre meu pai virou pó em poucas horas. Chorei porque minha mãe me bateu. Chorei porque, no fundo, eu sabia que ela também estava quebrada, mas isso não doía menos.
Eu fiquei deitada olhando pro teto, sem conseguir dormir. Cada lembrança vinha como uma provocação. Meu pai me ensinando a andar de bicicleta. Meu pai rindo no almoço de domingo. Meu pai dizendo que família era tudo.
Mentira.
Ou pior: meia verdade.
Agora existia um outro filho. Um filho escondido. Um filho rejeitado. Um filho que cresceu longe, enquanto eu tive tudo.
Isso me dava um embrulho no estômago que não passava.
Eu me levantava, sentava na cama, andava pela casa. Minha mãe não veio falar comigo depois do tapa. Acho que ela também não sabia como. O silêncio entre a gente gritava.
Em algum momento da madrugada, eu tomei uma decisão.
Eu precisava ver esse homem.
Precisava olhar na cara do tal Daniel. Preci