A casa está errada. Eu sinto o peso da desordem antes mesmo de cruzar a soleira. Não é o silêncio disciplinado que costumo encontrar; é uma ausência densa, um vácuo que ocupa o espaço do oxigênio e torna cada respiração um esforço consciente.
Deixo minha mala no mármore da entrada, ignorando o protocolo. O fato de nenhum funcionário ter corrido para se anunciar já é, por si só, o aviso de que algo se quebrou na minha ausência. Subo as escadas sem tirar o casaco. O som das minhas botas ecoa pelos