CAPÍTULO 77 — O PASSO QUE FALTAVA
Duas semanas depois daquele jantar em família, Helena já percebia que algo havia mudado — não apenas entre ela e Arthur, mas ao redor deles.
O relacionamento estava sólido, maduro, confortável de um jeito que aquecia o peito e acalmava a alma. Eles tinham encontrado um ritmo natural: dividiam responsabilidades, riam juntos, cuidavam de Téo como se já fossem todos parte de um único núcleo.
E, de certa forma, eram.
Arthur chegava cedo ao apartamento sempre que podia. Às vezes preparava o almoço. Às vezes buscava Téo na escola. Outras, simplesmente aparecia com flores — e não qualquer flor, mas as que Helena mais gostava.
Ela nunca tinha pedido nada.
E ele nunca exagerava.
Era simples. Genuíno. E constante.
Naquela sexta-feira, Arthur decidiu buscá-la na filial depois do expediente. Helena desceu as escadas ainda prendendo o cabelo, os saltos ritmando o corredor. Quando o viu encostado no carro, com as mãos nos bolsos e um sorriso que sempre bala