Enquanto Alerrandro começava a sentir algo novo, ou talvez esquecido, pela mulher adormecida em seu sofá, Victor vivia um turbilhão diferente, solitário, em sua ampla sala de estar.
Estava jogado no sofá de linho claro, os pés descalços apoiados sobre as almofadas, vestindo uma blusa bege de algodão que deixava à mostra parte do peito. O celular repousava ao lado, sobre a mesinha de madeira escura, mas ele o ignorava. A luz do entardecer entrava pelas janelas amplas, tingindo o ambiente com tons dourados e sombras longas.
Victor passava as mãos pelos cabelos, bagunçando-os com força, como se quisesse arrancar os pensamentos que o atormentavam.
— Que mulher é essa... — murmurou, os olhos fixos no teto, como se ali estivessem projetadas as lembranças do dia.
Um sorriso escapou de seus lábios. Ele fechou os olhos por um instante, e a imagem de Mery surgiu nítida: o toque suave em seu braço, o olhar triste e profundo, a voz baixa pedindo comida com mais dignidade do que desespero.
— Ela t