Eram 8h da manhã. A luz do sol atravessava as janelas amplas do apartamento de Alerrandro, banhando o ambiente com um brilho dourado e suave. O som distante da cidade começava a se intensificar, mas ali dentro, tudo parecia suspenso no tempo.
No quarto, Alerrandro ajustava a gravata diante do espelho. O terno escuro caía perfeitamente sobre seus ombros largos, e o perfume amadeirado que usava preenchia o ar. Seus olhos, refletidos no espelho, estavam sérios, mas havia algo mais ali, uma inquietação contida, um conflito que ele tentava sufocar sob a rotina.
Olhou para o relógio de pulso. Ainda tinha tempo.
Respirou fundo, passou a mão pelos cabelos claros e saiu do quarto com passos firmes. Havia algo que precisava ser dito. Algo que não podia mais esperar.
Na cozinha, Milena estava sentada à mesa, com uma xícara de café entre as mãos. Usava uma blusa simples e calça jeans, o cabelo preso em um coque improvisado. Diante dela, um prato com uma fatia de bolo de morango. Ela comia