O despertador tocou às seis e quarenta. Abigail o ignorou. O som insistente reverberava no quarto escuro como uma cobrança: levante-se, encare o mundo, mesmo que ele tenha decidido te odiar.
Ela não queria. Queria sumir, congelar o tempo, se esconder nos braços de Sérgio ou se perder na música da noite na casa de shows, onde tudo parecia possível. Mas a realidade não esperava por ninguém. E, como sempre, ela não tinha mais o privilégio de fugir.
Levantou devagar, como se cada parte do corpo pes