Início / Romance / A esposa invisível: A queda do magnata / Capítulo 2 — O preço de cinco anos
Capítulo 2 — O preço de cinco anos

Augusto não esperou o café da manhã. Ele convocou Helena para o escritório logo cedo, como se fosse um desligamento de estagiário. Quando ela entrou, ele estava sentado na poltrona principal, com Lívia em pé ao lado dele, segurando um tablet e com aquele sorriso que não chegava aos olhos. O robe de seda azul de Helena já tinha desaparecido, trocado por um terninho bege que parecia uma armadura.

— Helena, vamos ser pragmáticos — Augusto começou, a voz polida demais para ser real. — O que aconteceu ontem foi lamentável, mas o Cais Norte não pode parar por causa de um desentendimento pessoal. Temos um acordo aqui.

Lívia deslizou um documento sobre a mesa de mogno. Helena não se sentou. Ela ficou de pé, observando os dois. O documento era um acordo de divórcio, mas parecia mais um contrato de confidencialidade de uma empresa sob investigação.

— Um apartamento modesto por doze meses. Uma pensão temporária. Em troca, eu renuncio a qualquer participação na Ferraz, declaro que nunca trabalhei na empresa e assino um termo de sigilo total — Helena leu em voz alta. A cada palavra, a indignação subia como um fogo, mas ela a manteve trancada. Ela não ia dar a eles o prazer de vê-la chorar.

— É mais do que justo — Lívia interveio, com aquela voz doce que escondia o veneno. — Você entrou neste casamento sem nada, Helena. O Augusto está sendo generoso para evitar que você volte à vida comum de onde veio.

Helena sentiu um estalo dentro de si. A humilhação de ontem tinha se transformado em algo mais frio: clareza. Eles não queriam apenas o divórcio; eles queriam apagar a sua existência da história da empresa. Eles precisavam que ela fosse a "esposa sem ambição" para que o roubo intelectual de Lívia ficasse invisível.

— E a pasta azul? — Helena perguntou, ignorando o deboche de Lívia. — Onde estão meus pareceres sobre o Cais Norte?

Augusto deu de ombros, entediado. — Aquilo? Papel velho. Já foi triturado. O que importa é o que está aqui agora. Assina.

Helena não tocou na caneta. Seus olhos passaram pelas cláusulas do acordo. No meio do texto jurídico, ela travou. Havia uma menção específica a uma "garantia de crédito da Aurora Capital" e a um aditivo contratual. E, logo abaixo, a assinatura dela. Uma assinatura que ela jamais colocou ali.

Ela não reagiu. Manteve o rosto neutro, como se estivesse apenas lendo uma ata de reunião.

— Preciso de tempo para analisar — Helena disse, recolhendo o documento.

— Não temos tempo — Augusto disparou, perdendo a paciência. — Assina agora ou as condições mudam.

— Vou falar com meu advogado — ela respondeu, virando as costas.

— Você não tem advogado, Helena! Você tem a mim! — ele gritou.

Ela saiu do escritório sem olhar para trás. No banheiro, com a porta trancada, o coração disparou. Ela tirou o celular e ligou para Sofia, sua melhor amiga e advogada.

— Sofi, eles estão me forçando a assinar um acordo de silêncio. E usaram minha assinatura em um aditivo que eu nunca vi — Helena sussurrou, a mão tremendo.

— Helena, escuta bem — a voz de Sofia era um porto seguro. — Não assina nada. Tira foto de tudo. Sai daí agora com seus documentos pessoais e, pelo amor de Deus, não admite nada. Se eles usaram sua assinatura, isso não é divórcio, é crime.

Enquanto falava, o celular de Helena vibrou. Uma notificação de chamada perdida: “B. Valença”. Ela ignorou novamente. Ainda não.

Ela voltou para a sala. Augusto e Lívia estavam tomando vinho, como se estivessem celebrando. Helena caminhou até a mesa e rasgou a folha onde constava a oferta financeira. O som do papel sendo partido ao meio cortou o silêncio.

— O documento é meu — ela disse, mantendo os papéis principais junto ao peito. — O resto a gente resolve com advogados. A partir de agora, não me procurem mais.

Augusto se levantou, vermelho. — Você acha que é quem, Helena? Você não é nada sem o meu sobrenome. Ninguém importante nessa cidade sabe o seu nome.

Helena o encarou. Pela primeira vez, ela viu o medo atrás da arrogância dele.

— Você ficaria surpreso com quem sabe o meu nome, Augusto — ela disse, e saiu.

Ao entrar no quarto, encontrou suas gavetas reviradas. Eles tinham buscado tudo, mas não encontraram o que realmente importava. No forro falso de uma caixa antiga, o anel de safira da mãe ainda brilhava, intocado.

Seu celular vibrou de novo. Uma mensagem de Sofia. Ela abriu a imagem anexada pela amiga: uma ampliação do aditivo que ela tinha lido na sala. Sofia tinha circulado a data e a hora da assinatura digital.

“Helena, essa assinatura foi usada ontem. Quando você estava no avião, a 10 mil metros de altura.”

O ar sumiu dos pulmões de Helena. Eles tinham roubado sua identidade, mas tinham cometido o erro de deixá-la viva para descobrir.

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App