Augusto não esperou o café da manhã. Ele convocou Helena para o escritório logo cedo, como se fosse um desligamento de estagiário. Quando ela entrou, ele estava sentado na poltrona principal, com Lívia em pé ao lado dele, segurando um tablet e com aquele sorriso que não chegava aos olhos. O robe de seda azul de Helena já tinha desaparecido, trocado por um terninho bege que parecia uma armadura.— Helena, vamos ser pragmáticos — Augusto começou, a voz polida demais para ser real. — O que aconteceu ontem foi lamentável, mas o Cais Norte não pode parar por causa de um desentendimento pessoal. Temos um acordo aqui.Lívia deslizou um documento sobre a mesa de mogno. Helena não se sentou. Ela ficou de pé, observando os dois. O documento era um acordo de divórcio, mas parecia mais um contrato de confidencialidade de uma empresa sob investigação.— Um apartamento modesto por doze meses. Uma pensão temporária. Em troca, eu renuncio a qualquer participação na Ferraz, declaro que nunca trabalhei
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