Narrado por Antonella Bellini
Os dias passavam como quem arrasta correntes. Cada minuto era uma lâmina silenciosa cortando por dentro. Dormir era raro, comer, mais ainda. Meu corpo se contorcia de ansiedade, e a cada manhã, eu desejava não abrir os olhos — porque quando o fazia, lembrava que estava prestes a deixar de ser eu mesma. Ou pior: de deixar de ser livre.
Vestir o vestido de noiva foi como vestir um luto. E, ainda assim, havia algo de poético em ver minha mãe chorar ao me ver nele. Aqu