A voz do outro lado era familiar. Uma familiaridade desconfortável. Quase amarga.
— Filha... que bom ouvir sua voz...
Meu estômago revirou.
— Pai?
Foram anos sem ouvir nada. Nenhum telefonema. Nenhuma carta. Nenhum "feliz aniversário". Ele tinha simplesmente desaparecido da minha vida, da minha e da da minha mãe. E agora... agora ele me chamava de filha?
— Como você está, minha princesa?
Aquelas palavras que deveriam aquecer, só gelaram.
— O que você quer?
Ele suspirou, e pela primeira vez pareceu frágil.
— Papai precisa da sua ajuda, primeiramente certifica que sua mãe não está ouvindo isso.
— Não está. O que você quer?
— Preciso que procure uma pessoa e diga que tudo deu errado, precisa ser pessoalmente filha, sem telefonemas, eu estou inacessível no momento, é só um recado. Uma pequena viagem e você volta pra casa ok?
Eu não tenho mais ninguém.
— O quê? Como assim? Onde você está?
— Você só precisa ir à portaria da empresa Burklei em São Paulo e pedir para falar com o Roberto. Avis