Capítulo 61

A voz do outro lado era familiar. Uma familiaridade desconfortável. Quase amarga.

— Filha... que bom ouvir sua voz...

Meu estômago revirou.

— Pai?

Foram anos sem ouvir nada. Nenhum telefonema. Nenhuma carta. Nenhum "feliz aniversário". Ele tinha simplesmente desaparecido da minha vida, da minha e da da minha mãe. E agora... agora ele me chamava de filha?

— Como você está, minha princesa?

Aquelas palavras que deveriam aquecer, só gelaram.

— O que você quer?

Ele suspirou, e pela primeira vez pareceu frágil.

— Papai precisa da sua ajuda, primeiramente certifica que sua mãe não está ouvindo isso.

— Não está. O que você quer?

— Preciso que procure uma pessoa e diga que tudo deu errado, precisa ser pessoalmente filha, sem telefonemas, eu estou inacessível no momento, é só um recado. Uma pequena viagem e você volta pra casa ok?

Eu não tenho mais ninguém.

— O quê? Como assim? Onde você está?

— Você só precisa ir à portaria da empresa Burklei em São Paulo e pedir para falar com o Roberto. Avis
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