Allie
O carro parou suavemente diante da minha casa. O som do motor se calou, mas o que restou entre nós foi aquele silêncio cheio de significados, daqueles que falam mais do que qualquer palavra jamais conseguiria. Eu ainda sentia o toque quente das mãos de Ever na minha pele, ainda ouvia sua voz dizendo que me amava. Ainda estava respirando o mesmo ar que ela.
Antes que eu abrisse a porta do carro, parei. Me virei devagar, as mãos ainda entrelaçadas nas dela, e suspirei.
— Ever... — minha voz saiu baixa, como se estivesse com medo de quebrar a bolha de paz que havíamos construído naquela madrugada.
— Hm?
— Eu não quero que isso aqui... a gente... se perca de novo.
Ela apertou meus dedos com firmeza, olhando diretamente nos meus olhos.
— Eu também não quero, Allie. Eu tô aqui agora. E dessa vez, pra valer.
Fiquei em silêncio por um instante, encarando aquele rosto que já era tão meu mesmo sem nunca ter sido de fato. A insegurança ainda morava em mim, mas algo dentro dela me acalmava.