Mundo de ficçãoIniciar sessãoEm um mundo onde vampiros, lobisomens e bruxas travam uma luta milenar, David vive uma existência de tortura e servidão. Preso desde a infância, ele suportou abusos e serviu como alimento para os seres sobrenaturais que o aprisionaram. No entanto, em seu aniversário de 25 anos, tudo muda quando um encontro surpreendente desperta poderes há muito suprimidos.
Ler maisAntes
Egor
O silêncio entre nós é um daqueles confortáveis, o tipo que só se encontra entre irmãos. Estou sentado em uma cadeira, uma cerveja na mão, enquanto ele mexe em algo na cozinha. A TV está ligada, mas nenhum de nós presta atenção no que está passando.
— Você tá estranho, sabia? — Nikolai comenta de repente, sem me olhar.
— Obrigado, sempre bom ouvir isso — resmungo, tomando um gole da cerveja.
— Não, sério. — Ele aparece no batente da cozinha, com uma sobrancelha arqueada. —Desde quando você, o homem que praticamente faz fila de mulheres no telefone, está... quieto? — Essa não parece uma questão vinda de lugar nenhum.
— Estou cansado — digo, levantando os ombros em um gesto despreocupado.
— Cansado? Você? — Ele ri alto, como se a ideia fosse absurda. — Quem é você e o que fez com meu irmão?
— Não começa, Nik.
Ele cruza os braços, apoiando-se na parede. O sorriso brincalhão ainda está lá, mas há algo mais nos olhos dele: curiosidade. Como se ele estivesse tentando juntar as peças de um quebra-cabeça que eu nem sabia ter criado.
— Isso tem a ver com alguém? — ele pergunta finalmente, o tom cuidadoso, mas cheio de intenção.
Não respondo de imediato, minha mente voltando à lembrança dela. Sua risada, que sempre parece um pouco sarcástica. O jeito que ela inclina a cabeça quando me olha, como se estivesse avaliando cada palavra que eu digo. E o modo como ela sempre, sempre, parece escapar antes que eu consiga segurá-la.
— Não é ninguém — minto, mas minha voz não soa convincente nem para mim.
— Ahá! — Nikolai exclama, vindo para o sofá e se jogando ao meu lado. — Eu sabia. Quem é ela?
— Não é nada disso, Nik — insisto, mas ele está se divertindo demais para ouvir.
— Você tá caidinho por alguém — ele me provoca, cutucando meu ombro.
— Não estou.
— Você está!
Respiro fundo, tentando afastar a irritação crescente. Nikolai sempre teve o talento de me tirar do sério, mas ele não está errado. O problema é que admitir isso em voz alta faz parecer... mais real.
— Ela é um pouco diferente — acabo confessando, a contragosto.
— Diferente como?
— Como uma m*****a borboleta.
Nikolai franze a testa, claramente não esperando essa resposta.
— Uma borboleta? — ele repete, como se o conceito fosse completamente alienígena.
Não acredito que estou falando de um caso de uma noite para o meu irmão.
— É isso mesmo — digo, sentindo a frustração crescer enquanto as palavras saem. — Ela aparece, fica por um momento e vai embora antes que eu consiga segurá-la. Não importa o que eu faça, ela sempre escapa.
— Você está falando de uma mulher ou de um inseto?
— De uma mulher, idiota — retruco, mas há um toque de humor na minha voz agora. — Ela... É complicada. Nós... tivemos algumas noites juntos, mas ela sempre encontra uma desculpa para evitar qualquer coisa que vá além disso. É como se ela estivesse determinada a não me deixar chegar perto de verdade.
Nikolai me olha por um longo momento, o sorriso desaparecendo enquanto ele percebe a seriedade na minha voz.
— E por que você ainda está atrás dela?
Essa é a pergunta que eu tenho me feito. Porque, com todo o esforço que estou colocando nisso, seria mais fácil simplesmente desistir. Mas algo dentro de mim se recusa a fazer isso.
— Porque eu preciso dela — admito, a verdade finalmente escapando. — Não sei por quê, mas preciso. É como se algo nela me puxasse, algo que eu não consigo ignorar.
— Você está ferrado — Nikolai comenta, mas há um leve sorriso no canto da boca dele.
— Não precisa me lembrar — resmungo, passando a mão pelo rosto.
— Você tem certeza de que ela vale todo esse esforço?
— Sim.
A resposta sai antes que eu possa sequer pensar nela, e Nikolai balança a cabeça, como se estivesse lidando com alguém completamente sem salvação. Talvez parte dele me entenda.
— Então acho que você vai ter que continuar caçando essa borboleta — ele diz finalmente, dando um tapa no meu ombro. — Boa sorte, irmão. Você vai precisar.
— Obrigado pela confiança — respondo, minha voz carregada de sarcasmo.
Mas, por mais que a frustração ainda esteja ali, há também algo mais: determinação. Porque, por mais difícil que ela seja, eu sei que não vou parar até tê-la em minhas mãos.
David foi tirado de seus pensamentos por Felipe, que o abraçou por trás e perguntou o que ele estava fazendo ali.— Nada, só estava pensando em algumas coisas.— Senti sua falta na cama, não só eu, mas também os nossos pequenos — disse Felipe.David se virou para voltar, lançando um último olhar para o rio, mas Georgina já não estava mais lá. Vários meses haviam se passado desde o confronto com Claus. Os gêmeos já haviam nascido, e David e Felipe estavam desfrutando das alegrias e desafios da paternidade.Eles haviam conseguido um médico vampiro para realizar o procedimento nele. Afinal, seria complicado explicar a um médico humano a gravidez de David e sua rápida capacidade de cura. Para o procedimento, tiveram que usar uma pequena quantidade de mata lobos e contar com a ajuda de Astrid e da magia para manter o corte aberto tempo suficiente para o médico poder retirar as crianças com segurança.Nos primeiros dias, David e Felipe não enfrentaram muitas dificuldades, pois estavam cerca
Depois de mandar Felipe embora e incendiar toda a casa, David usou a magia para se proteger da explosão que criou, destruindo completamente o local. Ele saiu andando em meio às chamas até emergir do que restou da casa.Determinado, David partiu em busca do homem que ele queria matar. Conseguira sentir o cheiro dos dois e os rastrearia através dele e da magia. Claus possuía outra casa na região, e David seguiu na direção dela. Sabia que a residência não estaria desprotegida totalmente, e poderia esperar por outro confronto, mas sua raiva e vontade, faria com que fosse rápido.O cheiro os levou até uma casa. Como muitas das propriedades de Claus, esta também era grande e luxuosa. Grande parte daquele luxo, David sabia, veio literalmente de seu sangue e suor. Ele observou por alguns instantes a movimentação da casa e então avançou a passos largos em direção ao jardim. Assim que o viram, os guardas partiram em sua direção, mas David os afastava com um simples movimento das mãos. Sabia qu
David se lembrou do momento em que estava ajoelhado, segurando Felipe nos braços. Ele não via nada e não ouvia nada, a única coisa em que David prestava atenção era na sua dor, uma dor agoniante e dilacerante. Para David, era como se seu coração tivesse sido arrancado do peito e esmagado.Enquanto sentia a magia tomando conta de si e a dor aumentando cada vez mais, David viu a mulher misteriosa que o estava rodeando se aproximar dele. Ela se ajoelhou ao lado de David e Felipe, e David perguntou quem ela era.— Meu nome é Georgina, David. Sou sua ancestral e a bruxa que carregou a Magia da Transcendência. Tenho observado você há algum tempo e sabia que isso poderia acontecer, já que você possui a mesma magia que um dia eu possuí.Georgina tocou o braço de David e continuou a falar:— Estou aqui para ajudar você, David. Eu não tive essa ajuda quando foi a minha vez de perder o controle. Eu não sabia que tinha uma segunda opção. — Que opção posso ter? Felipe está morto e eu não posso… n
Todos estavam felizes e contentes com o fato de Felipe não querer mais desistir de sua vida. Eles continuaram ali, desfrutando de uma paz e harmonia que todos sentiam. Com Claus morto, todos podiam respirar aliviados. Tudo o que David queria era voltar para a casa de Felipe, que também podia considerar sua, tomar um bom banho e descansar um pouco. Felipe percebeu a aparência cansada e abatida de David, embora todos os seus ferimentos já tivessem se curado, ele ainda parecia exausto. David não dormiu a noite toda. Mesmo sendo um vampiro, ele ainda tinha seu lado lobo e bruxo que necessitavam de repouso e horas de sono. Sem falar que a gravidez também contribuía para sua sonolência. Felipe avisou a todos que iria embora levar David para descansar, e todos também voltariam às suas vidas. Astrid e Maya retornariam ao santuário, Ária e Penélope voltariam para a casa de Santiago, e Débora já estava passando mais tempo na casa de Mário, então não se preocupava em voltar para a casa de Sant
David analisou a situação e pensou no que fazer. Ele não estava disposto a abrir mão de Felipe. Se fosse preciso ser egoísta, ele seria. Sabia que não aguentaria viver sem Felipe.— Quer saber, Felipe? Você tem razão. Eu preciso de uma pessoa forte ao meu lado. Analisando bem agora, não acho que você seja essa pessoa — disse David, com dificuldade.Era difícil para David dizer aquelas palavras para Felipe, mas ele precisava fazer. Felipe cerrou a sobrancelha, não acreditando no que estava ouvindo. David pegou a aliança de Felipe que estava em sua mão e a colocou em uma cômoda, fazendo questão de que Felipe visse.— Eu pedi para Astrid fazer o feitiço na sua aliança caso não conseguisse sair à luz do dia, mas parece que você não vai mais precisar, nem para andar à luz do dia, nem para o nosso casamento.— Quando você se for, nossa ligação também irá desaparecer, e então posso seguir em frente e encontrar outra pessoa para suprir sua falta na cama e sua falta para nosso filho — disse Da
A situação de Astrid estava ficando cada vez pior. Ela sentiu que, se não conseguisse trazer David de volta, acabaria mesmo morrendo ali. Tentou falar seu nome mais uma vez, mas foi em vão. Astrid viu David olhar novamente em direção a Felipe, observando-o. Em seguida, ele voltou a olhar para o ponto de luz à sua frente e fechou os olhos. Astrid começou a sentir a pressão em sua cabeça aliviar lentamente. Astrid não sabia o que era aquilo ou o que tinha acontecido, mas independente do que fosse, estava funcionando para David. Ela parou de sentir dor, e a aura de David havia mudado. Ele beijou Felipe e o colocou deitado no chão. Então, foi em direção a Astrid, que estava caída, e mordeu sua mão, entregando seu sangue para ela.Astrid aceitou porque realmente estava fraca. Ela não entendia completamente o que tinha acontecido. Os olhos de David estavam roxos, indicando que ainda estava sob efeito da magia, mas parecia lúcido e sob controle.Assim que Astrid parou de beber, ela se sento
Último capítulo