Fechei os olhos e tentei visualizar um futuro com ela. Um onde não houvesse apostas, humilhação, segredos. Um futuro em que ela segurasse minha mão em público sem medo. Em que me abraçasse nos corredores da escola sem se importar com os olhares.
Mas o que me vinha era o som das risadas, os olhares debochados, o peso da vergonha. A sensação de ser usada.
"Não quero ninguém me usando."
Aquela frase que eu mesma escrevi ainda queimava em mim. Porque, no fundo, o que eu mais temia era isso. Ser amada só pela metade. Ser escolhida só quando conveniente.
E Jenn? Ela estava ali. Sempre esteve. Me salvou, me acolheu, me protegeu. E agora estava com o coração partido. Por minha causa.
Eu nunca imaginei que ela sentia algo tão profundo. Talvez, no fundo, eu soubesse. Mas era mais fácil fingir que não. Mais fácil manter o equilíbrio da amizade, da convivência, do apoio. E agora? Agora ela havia se declarado. Me beijado. Gritado. Se mostrado vulnerável.
Jenn me amava. E mesmo que eu não soubesse