Ever saiu do carro e deu a volta até minha porta. Quando entrei, percebi que o saguão era ainda mais bonito por dentro. Um lustre imenso caía do teto. Havia quadros emoldurados, uma escada de madeira envernizada e móveis de aparência antiga, de um bom gosto que denunciava dinheiro. Já havia estado aqui em outros momentos, mas nunca havia parado para prestar atenção na casa e os detalhes.
Enquanto subíamos, um homem apareceu na parte de baixo da escada. Alto, terno impecável, barba grisalha, olhar duro. Ele parou assim que me viu. Ficamos nos encarando por segundos intermináveis. Seus olhos estreitaram como se ele estivesse reconhecendo algo ou alguém. Mas não disse nada. Apenas acenou com a cabeça e se virou, sumindo por uma das portas. Senti um calafrio. Ever também ficou tensa.— Meu pai. — murmurou apenas, sem acrescentar mais nada.Seguimos até o quarto. Ever abriu a porta e jogou a mochila no canto. Sentou-se na cama e fez sinal para que eu me sentass