Capítulo 08. Realizado

Inclinei minha cabeça devagar, dando a ela cada milésimo de segundo para sentir minha aproximação. Quando meus lábios finalmente tocaram os dela, o mundo exterior desmoronou.

O beijo foi inicialmente suave. Seus lábios eram incrivelmente macios, e ela estava imóvel, tensa, sabendo não fazer. Eu os massageei com os meus, com uma paciência que nem sabia que possuía. Minha mão soltou a dela e subiu até seu rosto, acariciando sua mandíbula, incentivando-a a relaxar. Ela começou a responder. Seus lábios moveram-se contra os meus, desajeitados, inocentes e absolutamente intoxicantes. Era o beijo mais puro e mais ardente que já tinha experimentado. Ela se soltou, suas mãos saíram da bancada e se agarraram às lapelas do meu terno, como se estivesse se afogando e eu fosse seu salva-vidas.

E então, algo mudou, um pequeno gemido saiu de sua garganta, quebrei o beijo por um segundo ofegante, me afastei uns centímetros, olhei nos olhos dela, e dei uma mordidinha de leve no seu lábio inferior.

— Não geme assim, coelhinha. — sussurrei, meu fôlego quente contra sua pele. — Se continuar, vou perder o controle.

Um sorriso lento e provocante surgiu nos lábios dela. Agarrei sua cintura com as duas mãos, e puxei ela contra mim de uma vez, não havia mais um milímetro de espaço entre a gente. Ela se encaixou perfeitamente, um suspiro preso escapando quando nossos corpos colidiram.

Voltei a beijá-la, dessa vez com a língua sem nenhuma cerimônia, dominando completamente sua boca. Era um beijo de posse, e ela correspondia com a mesma intensidade, as mãos subindo do meu terno para se enterrar nos meus cabelos, puxando com uma urgência que me deixou tonto.

Quando nos separamos, ambos estávamos sem ar. Nossas testas se tocaram, e nossas respirações ofegantes ecoaram na cozinha silenciosa. Seus olhos estavam ainda fechados, seus lábios vermelhos, marcados pelos meus. Ela estava desorientada, transformada.

O assobio agudo da chaleira irrompeu como um alarme, nos arrancando brutalmente da nossa bolha. Ela se afastou de um salto, levando as mãos à boca, tentando disfarçar o que acabara de acontecer. Seus olhos, piscaram rápido antes de se voltarem para a porta.

Me afastei, ajustando meu terno, recompondo minha expressão para a máscara de homem sério. Mas alguma coisa dentro de mim havia mudado para sempre. A caça terminara, a conquista, de verdade, começara.

Peguei a chaleira, desliguei o fogo e comecei a preparar o chá com mãos firmes, como se nada tivesse acontecido.

— Melhor levar isso para eles. Antes que venham nos procurar. — disse, minha voz de volta ao tom contido, mas com um brilho nos olhos que só ela podia ver.

Ela me olhou, ainda atordoada, e pegou o bule que enchi. Nossos dedos se tocaram novamente, e outra centelha percorreu nós dois.

Bruna saiu primeiro, de cabeça baixa, tentando conter a tempestade que eu havia despertado nela.

Fiquei para trás por um momento, sozinho na cozinha, levando os dedos aos meus lábios, ainda sentindo o gosto dela. A respiração ainda estava um pouco acelerada, o sangue cantando nas veias. Aquele beijo tinha sido mais intenso do que qualquer noite de libertinagem que já tivesse tido. Um sorriso lento e verdadeiro surgiu em meu rosto.

Agora, o jogo tinha começado de verdade.

Ajustei o nó da gravata, alisei o tecido do terno e expirei fundo, expulsando o último resquício do homem real para trazer de volta a farsa. "Patrick Lisboa" estava de volta, com sua postura contida e seu sorriso polido. Abri a porta da cozinha e segui pelo corredor, o som das vozes na sala crescendo a cada passo.

Ao entrar, o cenário era quase cômico. Bruna estava sentada rigidamente no sofá, o bule de chá na mesa à sua frente. Suas mãos estavam firmemente entrelaçadas no colo. Ela não olhava para ninguém, a fixação em sua xícara vazia era quase patética.

— Patrick, voltou! — a voz da minha madrasta, cortou o ar. — Foi tão gentil em ajudar a futura noivinha.

Sentei-me ao lado de Bruna, mantendo uma distância respeitável, mas o sofá era pequeno o suficiente para que a barra do meu terno roçasse no vestido bege dela.

— Não foi nada. A senhorita Bruna já tinha tudo sob controle — disse, minha voz o epítome da cortesia. — Apenas busquei umas colheres de sobremesa que estavam na gaveta. — A mentira saiu suave e convincente.

Paula sorriu gentilmente e colocou a xícara no pires com um clique delicado e olhou para Bruna e depois para mim, seu rosto se abrindo em um sorriso.

— Sabe de uma coisa, Miguel, Vera? — ela começou, sua voz melíflua cortando o ar. — Estou olhando para eles agora, sentados aqui... e que par lindo eles formam. Não acham?

A tia da Bruna pareceu quase desmaiar de satisfação.

— Sim! Realmente, são duas almas jovens tão... tão alinhadas com os valores da família.

O senhor Miguel assentiu com gravidade, seu olhar crítico passeando de mim para Bruna, avaliando.

— É a verdade. Um casal abençoado. Deus certamente uniu essas duas almas.

Cada palavra era um prego no caixão da liberdade dela. E cada prego me enchia de um prazer obscuro e possessivo. Eles estavam literalmente me entregando o que eu mais queria.

— Obrigado. Vocês são muito bondosos — eu disse, baixando a cabeça em falso agradecimento, interpretando perfeitamente o papel do noivo modesto. — A senhorita Bruna que é uma jovem de rara beleza e virtude. Sua família deve ter muito orgulho.

A tia da Bruna sorriu, satisfeita.

— Vocês realmente formam um belo casal, Patrick. Parecem feitos um para o outro.

Arrisquei um olhar para Bruna. Ela estava corada, não de prazer, mas de angústia. Suas mãos estavam brancas de tão entrelaçadas.

A visita, finalmente, chegou ao fim. As despedidas foram longas e cheias de promessas de novos encontros. Apertei a mão do senhor Miguel com firmeza, cumprimentei a senhora Vera com um leve aceno.

Quando me virei para Bruna para a despedida formal, nosso último ato, segurei sua mão gelada por um segundo a mais do que o necessário. Ela mal conseguiu olhar para mim.

— Até muito em breve, senhorita Bruna — disse eu, minha voz polida, mas com uma pressão nos dedos que transmitia uma mensagem completamente diferente. Você é minha.

— Até... até logo — ela sussurrou, retirando a mão como se eu a queimasse.

Saí da casa deles com a minha madrasta, me sentindo realizado.

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