O silêncio entre nós era espesso, pesado como uma tempestade prestes a desabar. Eu a observava—frágil, magra, com marcas no rosto e nos braços, cicatrizes que falavam de anos de sofrimento. Era difícil assimilar que essa mulher diante de mim era minha mãe.
Minha mãe biológica.
A que me gerou.
A que eu nunca conheci.
— Como… — Minha voz falhou, e eu precisei respirar fundo antes de tentar de novo. — Como você sobreviveu?
Ela me olhou com olhos cansados, mas ainda havia força neles.
— Eu não sei.