Eu deveria ter desconfiado.
Quando Mirielen me ligou numa quinta-feira de manhã dizendo que "precisava me levar pra dar uma voltinha", eu já deveria ter percebido que algo estava acontecendo. Mas os hormônios da gravidez tinham transformado meu cérebro numa gelatina sentimental, e eu aceitei sem questionar, pensando que seria só mais uma tarde tomando café.
— Pra onde a gente vai, Mi? — perguntei, entrando no carro dela.
— Surpresa! — ela anunciou, com aquele sorriso que ia de orelha a orelha.