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Capítulo 4: O Labirinto de Gratidão

O café da manhã terminou em um silêncio tenso. Killian saiu para uma reunião, deixando-me com o envelope das fotos de Roberto e uma sensação de que o chão sob meus pés era feito de vidro fino. Eu precisava de uma voz de sanidade. Precisava saber da minha mãe.

Subi para o meu quarto e peguei o telefone. O número da clínica de reabilitação de luxo que Killian havia mencionado estava em um cartão sobre a minha cabeceira.

— Clínica nova Horizonte, bom dia — a voz da recepcionista era suave.

— Olá, eu gostaria de informações sobre a paciente Molly Lopes. Sou a filha dela, Safira.

— Só um momento, senhorita... Ah, sim. A senhora Lopes está em uma excelente fase. O tratamento intensivo começou ontem. Gostaria de falar com o médico responsável?

Minutos depois, o Dr. Armando estava na linha.

— Safira? É um prazer. Sua mãe está reagindo muito bem à desintoxicação. Mas o que realmente fez a diferença foi o procedimento de vanguarda que o senhor Montenegro autorizou.

— Procedimento? — Meu coração falhou uma batida.

— Sim. Além da reabilitação, ele trouxe um especialista em neurologia da Alemanha para tratar os danos cognitivos que o vício prolongado causou a ela. Ele também quitou todas as dívidas que ela tinha com... pessoas perigosas na vizinhança de vocês. Ele limpou o nome dela, Safira. Sua mãe não vai apenas sair sóbria; ela vai sair com uma nova vida, uma conta bancária de suporte e uma casa pequena no interior, longe de qualquer gatilho.

Desliguei o telefone, sentindo meus joelhos tremerem. Sentei-me na borda da cama, as mãos enterradas no rosto.

Killian não tinha apenas internado minha mãe. Ele tinha curado a árvore genealógica do meu sofrimento. Ele arrancou as raízes de tudo o que me prendia no passado e o medo. Mas, ao fazer isso, ele me amarrou a ele com correntes de gratidão que eram mais fortes do que qualquer tranca de porta.

— Você está chorando por alegria ou por medo? — A voz dele me assustou

Killian estava parado na porta do meu quarto. Ele não usava mais o paletó, apenas a camisa social branca com as mangas dobradas até os cotovelos. Ele parecia menos um bilionário e mais um homem que acabou de voltar de uma guerra que venceu.

— Por que você fez isso? — perguntei, levantando o olhar. — A clínica, o médico alemão, a casa nova dela... é dinheiro demais, Killian. É cuidado demais para alguém que você mal "conhece".

Ele entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. O som do trinco ecoou como uma sentença.

— Eu a conheço através de você, Safira. Cada lágrima que você derramou por causa daquela mulher foi um espinho em mim por dez anos. Eu não fiz por ela. Fiz por você. Para que, quando você olhar para mim, não tenha que olhar por cima do ombro para ver se ela está morrendo ou se Roberto está chegando.

Ele se aproximou e se ajoelhou à minha frente, ficando na minha altura enquanto eu estava sentada na cama. Ele pegou minhas mãos trêmulas nas suas.

— Agora não há mais distrações, Safira. Não há mais fome, não há mais medo, não há mais dívidas. — Ele beijou a palma da minha mão, um gesto que começou doce e terminou com uma pressão possessiva. — Agora, você pode focar apenas em nós. Em Sebastian, em Beatrice... e no fato de que você nasceu para ser minha.

— E se eu quiser ir embora? — sussurrei, em um último ato de resistência. — Se eu quiser ver minha mãe e nunca mais voltar?

O olhar dele escureceu, o temporal voltando com força total.

— Você pode ir visitá-la quando quiser. Eu mesmo te levarei. Mas você voltará. Porque o seu lugar é onde eu estou. E eu passei dez anos garantindo que este seria o único lugar no mundo onde você seria verdadeiramente feliz.

Ele se levantou, puxando-me com ele.

— Arrume-se. Sebastian e Beatrice estão nos esperando na pista de gelo. Hoje, você vai aprender que cair não dói... desde que eu esteja lá para te segurar.

A Pista de Gelo

A propriedade sul da mansão escondia uma estrutura de vidro e aço que abrigava uma pista de patinação particular. O frio lá dentro era seco e cortante, mas o cenário era realmente deslumbrante.

Sebastian e Beatrice já estavam no gelo, deslizando com uma facilidade que só o treinamento de elite proporciona. Beatrice, com um vestidinho de lã azul, girava como uma pequena bailarina, enquanto Sebastian tentava ganhar velocidade, rindo alto.

— Safira! Vem! — Sebastian gritou, acenando freneticamente.

— Eu não sei patinar, querido! — respondi, tentando sorrir, mas sentindo o olhar de Killian queimando minhas costas.

— Você vai aprender — Killian murmurou atrás de mim.

Ele se sentou no banco de madeira e, para meu choque, ajoelhou-se aos meus pés. O homem mais poderoso que eu já conhecei estava ali, prendendo os patins nos meus pés com uma precisão cirúrgica. Quando ele terminou, ele se levantou e calçou os dele com uma agilidade impressionante.

Ao entrarmos no gelo, meu equilíbrio falhou imediatamente. Senti o mundo girar e meus pés deslizarem para direções opostas. O grito ficou preso na minha garganta.

Mas eu não caí.

Os braços de Killian me envolveram pela cintura, puxando meu corpo contra o dele. O contraste entre o frio da pista e o calor do seu peito era inebriante.

— Eu te disse, Safira — ele sussurrou contra meu ouvido, enquanto nos movíamos lentamente pelo gelo. — No meu mundo, eu nunca vou deixar você cair. Você só precisa parar de lutar contra as minhas mãos.

Ele me segurava com firmeza, guiando cada um dos meus passos. Por um momento, com as risadas das crianças ao fundo e a segurança dos braços dele, o labirinto de gratidão pareceu menos uma prisão e mais um abrigo. E esse era o meu maior medo.

— Por que os gêmeos não têm uma mãe, Killian? — perguntei, a coragem surgiu do nada.

O ritmo dele vacilou por apenas um milésimo de segundo. O olhar azulado dele se fixou no meu, e a escuridão que vi ali me fez arrepender da pergunta.

— Porque para eles terem uma mãe, eu precisaria ter amado a mulher que os gerou. E eu já te disse... eu só tive uma obsessão em dez anos. E ela está nos meus braços agora.

"Killian está sendo o "salvador", mas a natureza obsessiva dele está sempre presente."

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