Mundo de ficçãoIniciar sessãoA tarde na pista de gelo havia me deixado exausta, mas era uma exaustão mental. As palavras de Killian — de que ele nunca amou a mãe dos gêmeos — mexeram comigo como um aviso. Como poderia ter filhos com uma pessoa e não sentir nada?
Killian teve que viajar as pressas para suiça havia uma emergência na empresa de lá. Aproveitei esse tempo de não ser vigiada para levar Sebastian e Beatrice para o banho. Enquanto eles brincavam com bolhas de sabão sob a supervisão de uma das babás auxiliares, percebi que Beatrice disse que havia esquecido sua boneca favorita na ala médica da mansão, onde foi fazer um check-up de rotina naquela manhã. Fui buscar. Até chegar na ala médica pelo corredor era silencioso vi o escritório de Killian com a porta entre aberta achei que ele não tivesse ido ainda e entrei. Ele não estava na sala quando fui saí vi ums documentos espalhados na mesa, fui pegar para arrumar e guarda. Foi quando eu li um pedaço do formulário escrito de cinco anos atrás: "Protocolo de Fertilização Assistida e Seleção Genética – Projeto S.M" Meus olhos foram pelas linhas técnicas até chegar à descrição da doadora de óvulos. Não havia nome, apenas ums números. Mais havia uma ficha técnica com todas as características exigidas pelo contratante: “A doadora deve apresentar: Cabelos ruivos liso, olhos em tom de âmbar, altura entre 1,50m e 1,60m. Histórico familiar de inclinação às artes e pedagogia.” Minha respiração parou por um momento. Eram as minhas características. Cada detalhe. Continuei folheando, as mãos tremendo tanto que quase não conseguia segurar os papéis. Achei uma foto grampeada no fundo. Não era a foto da doadora. Era uma foto minha, tirada há seis anos, na formatura do ensino médio. Atrás da foto, a letra firme e elegante de Killian escreveu apenas uma frase: “O mais próximo possível da original. Até que eu consiga a verdadeira." — Meu Deus... — o sussurro escapou de meus lábios. Os gêmeos não foram fruto de um romance ou até mesmo de um erro. Sebastian e Beatrice foram projetados. Killian não teve coragem de ir até mim há cinco anos atrás, então ele pagou uma fortuna para encontrar uma mulher que fosse fisicamente idêntica a mim, apenas para gerar os filhos que tivessem o meu rosto. Ele não queria só uma família. Ele queria uma versão de mim que ele conseguese controlar enquanto a "Eu real" não estava ao seu lado. — A senhorita é muito corajosa em encontrar o que não deve, Safira. A voz de Alfred passou pela porta. Ele não parecia surpreso. Estava parado com as mãos atrás das costas, observando-me segurar a prova da loucura do Sr Montenegro. — Ele... criou os próprios filhos para se parecerem comigo? — disse com, as lágrimas de horror a cair. — Isso é monstruoso, Alfred! Essas crianças são seres humanos, não... são um substituto! — O senhor Montenegro consegue tudo o que quer, senhorita. — O mordomo deu um passo à frente, fechando pegando os documentos de mim e colocando na gaveta que fez um som ao ser fechada definitiva. — Se ele não pode ter a mulher que ama, ele garantiu que a sua linhagem carregasse a marca dela. Aquelas crianças são o tributo dele à você. — Isso não é amor! É locura! — disse. Virei-me para sair, mas dei de cara com o peito de Killian. Ele estava parado no corredor, a expressão não era de culpa, mas de uma frieza que nunca havia visto. Ele olhou para o mordomo, já entendo que havia visto os documentos. — Você achou que eu estava brincando quando disse que você era minha única obsessão, Safira? — Killian perguntou, sua voz baixa e vibrante. — Sebastian e Beatrice são os meus maiores tesouros. E sabe por quê? Porque cada vez que olho para eles, eu via você, mesmo quando o mundo tentava te tirar de mim. Ele me pegou pelo braço e me levou embora do escritório rumo para o meu quarto. — Agora você entende, não entende? Não há como fugir. Eu criei vidas inteiras apenas para manter a sua memória viva. Imagine o que eu farei agora que tenho a versão real aqui comigo. Parece que o "castelo de fachada" que Killian havia construído começou a rachar, revelando que a sua obsessão por Safira não é apenas uma espera passiva, mas algo que moldou cada decisão em sua vida, inclusive a existência dos fihos.






