HENRICO VIGNETO
A porta se fechou, abafando o som dos passos dela no corredor, mas o perfume permaneceu suspenso no ar viciado do meu escritório, misturando-se ao cheiro do uísque e à fumaça imaginária dos meus demônios.
Fiquei encarando a porta por um tempo que não soube quantificar.
Meus dedos tocaram o tecido da minha camisa, exatamente no local onde ela havia apoiado a cabeça. Ainda parecia quente.
Soltei uma risada baixa e incrédula.
— Inacreditável — murmurei para o silêncio opressor.
Ariel Macey. A garota que eu chantageei, forcei a espionar o ninho de cobras que é a família Velasquez e que tinha todos os motivos do mundo para pegar uma daquelas garrafas de cristal e quebrá-la na minha cabeça enquanto eu estava vulnerável... me abraçou.
Levei a mão ao rosto, passando-a pelos olhos cansados.
— Você deve ser meio louca, Ariel — murmurei, agora sorrindo para o nada. — Talvez seja a mulher mais perigosa nessa cidade, já que você consegue derrubar um homem sem dispa