HENRICO VIGNETO
A porta se fechou, abafando o som dos passos dela no corredor, mas o perfume permaneceu suspenso no ar viciado do meu escritório, misturando-se ao cheiro do uísque e à fumaça imaginária dos meus demônios.
Fiquei encarando a porta por um tempo que não soube quantificar.
Meus dedos tocaram o tecido da minha camisa, exatamente no local onde ela havia apoiado a cabeça. Ainda parecia quente.
Soltei uma risada baixa e incrédula.
— Inacreditável — murmurei para o silêncio opr