ARIEL MACEY
A calçada parecia girar sob os meus pés.
— Saia — ordenei ao motorista.
Ele me olhou confuso, segurando o volante com as mãos suadas.
— Como é, moça? O taxímetro...
— Eu disse para ir embora! — gritei, batendo a mão no teto do carro. — Você perdeu uma criança! Suma da minha frente antes que eu chame a polícia e denuncie sua negligência!
O homem não precisou ouvir duas vezes. O medo da responsabilidade falou mais alto. Ele arrancou o carro com um pneu cantando, deixando-me sozinha na fumaça do escapamento, segurando o tablet rosa de Luna contra o peito como se fosse um escudo.
Respirei fundo, tentando forçar o oxigênio a entrar nos meus pulmões paralisados. Pense, Ariel. Pense. Luna é pequena. Ela não corre rápido. E ela chama a atenção. Uma menina loira, vestida como uma boneca, sozinha no centro da cidade.
Comecei a correr.
Não corri cegamente. Meus olhos varriam cada centímetro da calçada, cada vitrine, cada beco. Fui primeiro para a direita, em direçã