Natália demorou a começar.
As palavras estavam presas na garganta havia anos, acumuladas como poeira em um quarto que ninguém ousa abrir. Nicolas sentou-se à frente dela no sofá, em silêncio absoluto, respeitando aquele espaço invisível que só quem carrega cicatrizes entende.
— Se eu contar — ela disse finalmente —, não tem volta.
— Eu não quero volta — ele respondeu. — Quero você inteira. Mesmo que doa.
Ela respirou fundo.
— Meu pai nunca foi pai — começou. — Ele foi medo.
Nicolas não a interr