Mundo ficciónIniciar sesiónEu encarei a mensagem por um longo momento antes de finalmente decidir responder.
Eu: Hoje não posso. Trabalho até as 11 da noite. Esperei, mas não houve resposta. A tela do celular continuou imóvel, sem notificações. Nenhuma confirmação, nenhum "ok", nada. Senti um incômodo crescer dentro de mim. Como alguém podia ser tão arrogante a ponto de nem se dar ao trabalho de responder? Ele achava que eu simplesmente largaria tudo para ir ao encontro dele? Suspirei, irritada, e guardei o celular de volta no bolso do avental. Mais tarde, contei a Zoe o que aconteceu. — Sério, ele nem se deu ao trabalho de responder? Zoe balançou a cabeça, incrédula. — Esses caras ricos são todos assim, amiga. Acham que o mundo gira ao redor deles. — Pois é. Como se eu não tivesse uma vida. Resmunguei. Zoe fez um biquinho. — Mas, sinceramente? Eu já sabia que ele ia querer te ver de novo. Você é demais. Revirei os olhos, mas sorri um pouco. — É, claro. O cara mal olhou na minha cara e suspirou como se eu fosse uma decepção ambulante. — Para de drama! Se ele voltou, é porque gostou. Mas ele não voltou. Os dias passaram, e Yanek Kovalev-Harris não entrou mais em contato. Nenhuma mensagem. Nada. Fingi que não ligava. No fundo, talvez ligasse um pouco. Não porque gostasse dele,longe disso. Mas porque ele me intrigava. Sua presença, sua forma de olhar para as pessoas, o jeito autoritário e misterioso. Mas ele era um babaca. Então, seguindo em frente, decidi explorar outras opções. Eu ainda estava no site. Comecei a conversar com outros caras. Um deles, um homem de 45 anos chamado Michael, parecia interessante. Era educado, conversava bem e não parecia apressado para nada. Depois de algumas trocas de mensagens, ele sugeriu um jantar em um restaurante chique no sábado, dia da minha folga. Hesitei. Mas Zoe me encorajou. — Ele só quer um jantar chique, amiga. Aceita! No fim, aceitei. Yanek ainda cruzava meus pensamentos às vezes, mas agora misturado com raiva. Ele me tratou como se eu fosse um objeto substituível, sem importância. Eu não queria pensar mais nele. Então, quando o sábado chegou, me arrumei com capricho. Vestido vermelho elegante, maquiagem impecável e cabelo solto, caindo suavemente sobre os ombros. Queria me sentir bem comigo mesma. Chegando ao restaurante, encontrei Michael esperando. Ele era gentil, educado… mas não tão bonito. Definitivamente não era Yanek. Mas ele parecia interessado. Talvez até demais. Ele olhava para mim como se estivesse analisando cada detalhe da minha aparência, e isso me deixava levemente desconfortável. Mesmo assim, mantive a postura e me esforcei para aproveitar o jantar. Até que, por um acaso no meio da nossa conversa, meu olhar se desviou. E então eu vi. Yanek. Sentado em uma mesa próxima, acompanhado de uma mulher. Uma jovem bonita, que imediatamente assumi ser outra Sugar Baby. Meu coração deu um leve sobressalto, mas logo me forcei a ignorá-lo. Afinal, ele podia estar ali com quem quisesse. Mas então ele me viu. Os olhos de Yanek cruzaram os meus. Prendi a respiração. Havia algo no olhar dele. Uma mudança sutil, uma faísca de algo que eu não consegui decifrar. Então ele olhou para Michael. E seu rosto se fechou. Ele não gostou. Engoli seco e desviei o olhar, tentando me concentrar no jantar. Mas a presença de Yanek parecia queimar na minha pele. Sempre que olhava de relance, ele ainda estava ali. Me observando. Aquilo me deixou desconfortável. Tentei continuar a conversa normalmente com Michael, mas minha atenção se dividia entre ele e o homem que, até pouco tempo atrás, havia simplesmente desaparecido da minha vida sem explicações da mesma forma que havia entrado. Então, algo inesperado aconteceu. Yanek se inclinou para a mulher ao seu lado e sussurrou algo. A moça assentiu, pegou a bolsa e se levantou da mesa. Saiu do restaurante sem olhar para trás. Acompanhei tudo com os olhos. O que foi isso? Então, Yanek se levantou e começou a caminhar na minha direção. Meu coração acelerou. Ele parou ao lado da mesa e cumprimentou Michael primeiro, com um aperto de mão firme. Pelo jeito, eles se conheciam. Depois, virou-se para mim. — Senhorita Llanos. Pisquei, surpresa. Ele se lembrava do meu sobrenome? Tentei parecer natural, mesmo sentindo uma tensão estranha no ar. — Senhor Kovalev-Harris. Michael observava a interação, um pouco nervoso. Yanek então olhou diretamente para ele. — Podemos conversar um instante? Michael hesitou, mas assentiu. Os dois se afastaram para perto do bar. Observei de longe, sem conseguir ouvir o que era dito. Mas a postura de Michael mudou rapidamente. Seu rosto perdeu a cor, e ele olhou para Yanek com algo que parecia medo. Então, desviou o olhar para mim. E, sem dizer uma palavra, simplesmente seguiu até a porta e saiu do restaurante. Fiquei completamente sem entender. Meu olhar voltou para Yanek, que me observava calmamente do outro lado do salão. Ele não disse nada. Apenas me olhava. E aquilo fez um frio estranho percorrer minha espinha.






