O silêncio do meu apartamento era opressor. Me espreguicei no sofá velho e encarei o teto manchado, perdida em pensamentos. A conversa com Zoe ainda ecoava na minha cabeça, mas outra lembrança começou a tomar espaço, uma que nunca me abandonava de verdade. Fechei os olhos e vi minha mãe. Nos últimos anos de vida, a doença a consumiu rapidamente. Primeiro, era só uma tosse ocasional, algo que os médicos pareciam não levar tão a sério. Mas então vieram os acessos de falta de ar, as noites intermináveis de tosse seca e dolorosa. O diagnóstico veio tarde demais: fibrose pulmonar. Disseram que não havia muito o que fazer. O ar começou a lhe faltar mais do que nunca, e, em pouco tempo, ela já não conseguia andar sem perder o fôlego. Eu tinha apenas doze anos quando a vi definhar. As mãos dela, antes fortes, tornaram-se frágeis, feias. Seu olhar, que um dia brilhava com vida e afeto, ficou opaco, resignado. No fim, mal conseguia falar sem se engasgar com a própria respiração. A imagem da ú
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