O corredor do comitê executivo tinha a acústica de uma catedral: tudo ecoava. E, naquela manhã, o som dos passos de Damian Blackwell era um aviso para todos se afastarem.
Ele não caminhava.
Ele avançava.
A noite anterior havia deixado marcas em todos, mas nele havia deixado algo ainda mais perigoso: determinação absoluta.
Elara o observava de longe, escondida atrás da esquina. Ela não deveria estar ali. Ele havia deixado claro que cuidaria de tudo. Mas como poderia ir para casa enquanto ele enfrentava o conselho por causa dela?
O suor leve em sua nuca, o aperto no estômago — não era apenas preocupação profissional.
Era pessoal.
E isso a apavorava.
A sala do conselho parecia menor do que o usual. Ou talvez fosse apenas a tensão oprimindo as paredes. O comitê de diretores, sentado em semicírculo, observava Damian entrar com passos firmes.
O presidente do conselho, Victor Hensley, ergueu o rosto.
— Blackwell. Ainda bem que compareceu. Temos muito o que discutir.
Damian parou diante deles