As manhãs na Costa da Lua nasciam sem luz.
Não havia sol. Não havia canto de pássaros apenas um céu cinzento, pesado, como se até os deuses lamentassem a ausência da loba adormecida.
A mansão Blackwolf parecia um túmulo, sufocada pelo silêncio e pela dor contida.
Mia estava em coma há dias.
Os médicos humanos e os curandeiros do clã haviam tentado de tudo com as ervas raras, poções lunares, feitiços antigos e até invocações a Selene. Nada funcionava.
Eles diziam que não havia mais o que fazer. Que o corpo dela estava vivo, mas sua alma parecia presa entre dois mundos, nem partida, nem desperta.
Por isso, Bryan ordenou que a transferissem para casa. Se ela estava prestes a partir, ele queria que fosse cercada pelo que sempre a manteve forte: sua família.
Desde então, ele não saía do lado dela.
Dormia em uma poltrona dura de couro negro, a cabeça tombada para frente, as mãos sempre agarradas às dela, como uma âncora.
Nem por um segundo permitia que a solidão tocasse o