Narrado por Luna
Acordei devagar, como quem emerge das profundezas de um lago escuro. A primeira sensação foi a maciez dos lençóis limpos sob minha pele. A segunda, uma dor surda e difusa, um eco corporal do que havia acontecido. A terceira, e mais aguda, foi o olhar.
Alex estava sentado numa poltrona ao lado da cama, seus cotovelos apoiados nos joelhos, o rosto repousando sobre as mãos entrelaçadas. Ele não estava calculando. Não estava planejando. Apenas observava. E quando meus olhos encontraram os dele, senti um sobressalto. Não havia o Dom Morano ali. Não havia a frieza estratégica, o controle de aço. Havia apenas… Alex. Um Alex esgotado, com sombras roxas sob os olhos, e uma preocupação tão nua e crua que parecia uma criança assustada.
— Você está acordada — ele disse, a voz rouca de horas em silêncio. Chamou pelo interfone, sem desviar o olhar de mim: “O médico, por favor”.
O exame foi rápido. Eu me sentia frágil, como vidro soprado após uma tempestade. O médico verifico