O corpo inerte de Luna em meus braços era um peso que transcendia o físico. Cada passo que eu dava, subindo as escadas em direção aos nossos aposentos, era um martírio. Parecia que carregava o mundo, e o mundo estava quebrado. O som abafado da faca caindo no porão ainda ecoava em meus ouvidos, misturado ao silêncio ensurdecedor que ela deixou para trás.
Tsurushi e Amália já haviam mobilizado o médico da base. Giovanna a enfermeira, que ela conhecia e confiava como sempre eficiente e silenciosa, tomou conta enquanto eu a depunha com infinita cautela na cama. Meus dedos tremiam ao afastar os cabelos sujos de seu rosto pálido. Eu a vi partir, e agora, impotente, só podia observar.
A enfermeira e o médico, um homem de meia-idade com olhos calmos, trabalharam em sintonia. Removeram as ataduras já manchadas de sangue fresco e sujeira do porão, limparam novamente os cortes e os ferimentos abertos. Cada nova gaze branca que envolviam seus pulsos me cortava como uma lâmina. Eu via a frieza