O silêncio no elevador parecia mais alto que qualquer grito. Me encarei no espelho e não reconheci aquela garota com olheiras disfarçadas por corretivo, cabelo desalinhado e alma em frangalhos. Eu não era mais eu. Alguma coisa tinha ficado naquele apartamento. Talvez o gosto do vômito na minha garganta, talvez a frase dele latejando nos meus ouvidos:
"Claro que não. Te dava dinheiro pra abortar."
Engoli em seco. O coração apertado no peito, um aperto mais fundo que qualquer enjoo.
Quando as por