Saio do hospital numa noite de vento cortante. Em Nova York, o outono sempre entra como quem não pede licença: o sol vira desenho, o ar fica metálico, e os casacos passam a morar nas cadeiras de jantar. Sebastian me deu uma lista clara — mil e um cuidados — e uma palavra de ordem: calma. Em casa, meu pai e minha mãe recebem o Matt com cordialidade que surpreende até a mim. “Fica, come, descansa”, dizem, e ele fica. A mim, paira o incômodo: eu o amo; ver esse homem assumir o que não nasceu dele