CAPÍTULO VINTE E SETE — O CAOS SE INSTALAR.
ELISA RIVER.
Cheguei em casa, mas a minha mente ficou no hospital, com Melissa.
Naquele quarto frio demais para uma criança. No som constante dos aparelhos. E pensei no pai dela, lá sozinho agora, tentando — ou fingindo tentar — ocupar um espaço que sempre evitou. Será que ele vai saber cuidar dela se acordar?
Larguei a bolsa em qualquer lugar e caminhei até o banheiro como se estivesse no automático. A edícula, parecia silenciosa demais, vazio demais. Abri o chuveiro e deixei a água quente cair sobre mim, escorrendo pelos cabelos, pelo rosto, pelos ombros tensos. Queria lavar o cansaço, a raiva, a preocupação. Queria desligar a mente. Não consegui.
Encostei a testa na parede fria do boxe e fechei os olhos. E, como se tivesse vontade própria, a lembrança surgiu. O beijo.
O jeito como Victor se aproximou, a fração de segundo em que pareceu hesitar, como se ainda pudesse parar. O momento em que não parou.
O choque inicial, a intensidade, o calor. A pressão do corpo dele contra o meu. Mi