Capítulo 97 — O apartamento que não existe
Narrador:
O apartamento não tinha quadros, não tinha fotografias, não tinha livros abertos nem roupas esquecidas em uma cadeira, não tinha memória; não havia plantas murchando em um canto nem almofadas desarrumadas que revelassem hábitos. Tudo eram linhas retas, superfícies limpas, cores neutras. Cinza, aço e branco.
Minimalista, frio, mas funcional.
No entanto, naquela noite, estava carregado de história.
O vapor ainda embaçava os espelhos quando Camil