Elisie Bellamy
Depois da dança, eu pego uma taça de champanhe.
Não por vontade. É mais por necessidade. Preciso ocupar as mãos, a garganta, qualquer coisa que me impeça de desmoronar no meio desse salão elegante e cruel. Caminho até um canto mais afastado, perto de uma das colunas, e aqui fico, tentando recuperar o fôlego que parece ter sido arrancado de mim minutos atrás.
Conversar sobre filhos sempre foi um ponto sensível na minha vida.
E hoje, mais uma vez, confirma-se que esse assunto sempre carrega algum tipo de decepção para mim.
Enquanto observo as pessoas conversando, rindo, brindando, minha mente me leva para longe daqui. Para memórias que eu preferia não revisitar. Minha mãe. Meu pai. A casa cheia de silêncio pesado, de ausências gritantes, de dor que ninguém queria enxergar. Crescer naquele ambiente me ensinou cedo demais o que é viver com medo constante.
E o meu maior pavor é repetir esse ciclo.
A ideia de dar esse mesmo ciclo a um filho meu me parece cruel demais. Quase u