Elisie Bellamy
A festa continua e quanto mais ela continua, mais eu me sinto inquieta.
É como se houvesse algo invisível grudado em mim, uma placa silenciosa pendurada no meu vestido branco dizendo: me pergunte sobre filhos. As perguntas são repetitivas, insistentes, circulares. Mudam os rostos, mudam as vozes, mas o assunto é sempre o mesmo.
Um herdeiro. Um bebê. Um sucessor.
Procuro paciência em todos os lugares possíveis: no fundo do copo, na música suave, nos sorrisos treinados. Mas ela escapa por entre os dedos.
Eu ainda não sinto que este seja o momento de engravidar.
Para a máfia, talvez seja perfeito. Estratégico e necessário. Mas entre mim e Lucien… não. Não agora. Eu ainda não o conheço. Não sei quem ele é quando as portas se fecham por completo, quando não há olhos observando, quando não há obrigações de poder.
Não sei se ele estaria presente.
Não sei se ele dividiria o peso.
Não sei, e isso é o que mais me assusta se ele seria um bom pai. Afinal, o meu foi péssimo e eu sei