Mundo de ficçãoIniciar sessãoMATEO
Paro ao lado do meu carro, abrindo a porta pra ela antes que o manobrista chegue perto. — É lindo — ela diz, passando a mão de leve na lataria escura. — Combina comigo, não? — respondo, um meio sorriso no rosto. — Combina com seu ego, isso sim. Rio, de verdade, coisa que não faço com facilidade. Abro a porta do carona, e ela entra sem hesitar. — Vou te levar num dos melhores hotéis da cidade — falo, ligando o motor. Ela só assente, olhando pela janela pra cidade que brilha lá fora, luzes se espalhando pelo horizonte enquanto dirijo rápido demais pelas ruas quase vazias. Um silêncio confortável entre nós, mas eu não aguento, quero saber mais sobre ela, mesmo sabendo que deveria estar fazendo o oposto, me afastando dessa desconhecida antes que essa sensação estranha cresça ainda mais. — No que você trabalha? Pra ter vindo naquela festa. — dou uma olhada rápida para ela, que fica pensando. depois, volto a olhar para frente. — Minha amiga me convidou. Os convidados podiam levar alguém, e ela me levou. — falou rápido demais e então, não voltou a me olhar. Respondo com um aceno de cabeça, mas por dentro sei que aquilo não é nada, ela não vai revelar muito, sinto isso claramente. Ela é um mistério, cada resposta um enigma novo, e isso, ao invés de me afastar, me puxa ainda mais pra perto. Por que ela veio aqui? Ela possui alguma empresa? Eu nunca a vi antes, não deve ser filha de uns sócios do meu pai, e ela mencionou a amiga, quero saber que amiga é essa, só pode ser de algum dos contatos do meu pai. Mas, sei que vou saber em breve. Tenho meios para saber quem ela é. Nome, endereço, tudo. Eu já sei o que ela é debaixo desse vestido lindo, desse cabelo ondulado, soube assim que a vi. Sinto isso desde o primeiro segundo, o cheiro selvagem por baixo do perfume caro, a energia que só outro lobo reconhece. E sei que ela também sabe sobre mim, mas nenhum dos dois toca nesse assunto, como se um acordo silencioso tivesse sido feito sem palavra alguma. Chegamos ao hotel, e assim que desligo o motor, viro pra olhar pra ela. É nesse momento que sinto de verdade, o cheiro dela mais forte, mais próximo, batendo direto no meu instinto mais primitivo. Meu lobo se agita por dentro, inquieto, possessivo de um jeito absurdo pra alguém que conheci há poucas horas. Como se ele gritasse : A possua, ela é sua, torne ela sua companheira, agora. Consigo escutar sua voz em minha mente. Caralho, como vou me afastar dela quando meu lobo está assim? Mordo meu lábio de leve. Olho para ela que já está me olhando. Vi que ela também sente. Vi no jeito que ela respira mais fundo, no jeito que os olhos dela escurecem, só um pouco enquanto me encara. Mas... não falamos nada. Então, decido agir. Saio do carro, dou a volta, abro a porta pra ela, estendendo a mão. — Vem — falo, minha voz mais rouca do que pretendia. Ela pega minha mão, mãos tão quentes e gentis... sinto um choque pelo meu corpo, mas ao invés de sair do carro, ela me puxa de volta pra dentro, um sorriso atrevido no rosto. Me sento novamente no banco do motorista e ela se aproxima de mim. — A gente pode começar bem aqui — ela diz, simples assim, sem vergonha nenhuma. Um sorriso malicioso no rosto. caralho, ela agindo assim, vou ficar duro rapidinho. Fico de boca aberta por um segundo. Não esperava isso, não dessa mulher que parecia tão comedida minutos atrás. Mas gosto. Gosto muito. E quero muito sentir essa pele dela, na minha, já até imagino nos dois... suados, nos tocando, sentindo. meu lobo saciado sentindo ela. Porra! — É mesmo? — pergunto, um sorriso lento se formando. — É mesmo. — ela morde levemente seu lábio. Ela pula pro meu colo antes que eu processe direito o movimento, as mãos dela subindo pelo meu pescoço, o corpo colado no meu dentro do espaço apertado do carro. — Você é atraente demais, sabia? — ela sussurra, rosto a centímetros do meu. — Eu não sou de me deixar levar assim, tão rápido. Mas hoje, eu quero ver até onde a gente vai. Não preciso ouvir mais nada. Avanço, incapaz de resistir ao cheiro dela tão perto, tão intenso. Beijo ela com uma fome que não reconheço em mim mesmo, minha mão deslizando pela coxa dela, e ela geme baixinho contra minha boca, um som que só me deixa mais faminto por mais. O beijo fica mais selvagem, mais urgente, as mãos dela puxando meu cabelo, meu corpo pressionando o dela contra o banco. E é nesse instante, com ela tão perto, tão entregue, que sinto, não é só desejo físico batendo em mim. É algo mais fundo, mais primitivo, uma certeza que rasga qualquer racionalidade que eu ainda tentava segurar. Meu lobo reconhece o dela. A verdade b**e como um soco no peito, junto com a excitação, misturando prazer e choque de um jeito que nunca senti antes. Ela é minha. De um jeito que transcende aquela noite, aquele carro, aquele hotel. Sinto isso na pele, na alma, em cada parte selvagem de mim que nunca se importou com ninguém. Ela também sente, vejo no jeito que ela para por um segundo, os olhos arregalando de leve, como se tentasse entender o que acabou de acontecer entre nós. Mas antes que qualquer um dos dois consiga racionalizar, o desejo fala mais alto. — Vamos pra dentro — consigo dizer, voz rouca, mal conseguindo controlar meu próprio corpo. — Agora. — sou autoritário... já estou sentindo meu membro duro, louco para entrar nela e saciar minha fome intensa. Ela assente, sem fôlego, e saímos do carro apressados, sem nos importar com quem possa estar vendo, rumo ao elevador, rumo ao meu quarto, rumo a uma noite que sei, no fundo, vai mudar tudo. E eu não vou conseguir me segurar por muito mais tempo.






