Mundo ficciónIniciar sesiónAmália.
Entramos no quarto quase tropeçando um no outro, a porta batendo atrás de nós enquanto ele me prensa contra a parede, boca no meu pescoço, mãos percorrendo cada parte do meu corpo como se já me conhecesse há anos. Porra, ele é gostoso demais. Seus toques, sua mãos quentes e grandes sobre mim. Seus lábios quentes e febris. Quero tudo isso e mais. Ele me j**a na cama com violência, tira meu vestido. — Quero sentir você toda. Quero te foder várias vezes essa noite. Eu apenas concordo, eu quero o mesmo. Quero sentir ele sobre mim, me tocando, me beijando. Não quero que essa noite acabe. — Também quero isso. Venha. Quero te sentir. — Digo sorrindo para ele. E ele, não perde tempo. Tira sua roupa rapidamente, fica em cima de mim e depois tira meu vestido. Tão rápido, tão faminto. Fico só devorando seu corpo, como ele é lindo, másculo. Esses cabelos pretos, sensuais. Ele todo é gostoso demais... Ele me toca, me beija, o corpo todo e eu só peço por mais... Quero ser mais tocada, beijada. E ele vem... toca seus lábios em todo meu corpo e depois seu membro entra dentro de mim, me deixando louca de desejo por esse homem. A noite se transforma em um borrão de calor, suor, gemidos abafados e promessas sussurradas que nenhum de nós dois vai lembrar direito pela manhã. Ele é intenso, possessivo, cada toque carregado de uma urgência que eu nunca senti com ninguém antes, como se meu corpo inteiro tivesse sido feito só pra responder ao dele. Perco a conta de quantas vezes viramos posição na cama, de quantas vezes eu e ele gozamos, em várias posições, reviramos o quarto todo, e mesmo eu cansada, exausta, quis mais, até às horas passar e já ser de madrugada e estarmos suados demais. Quando finalmente paramos, exaustos, suados, ele me puxa pro peito dele, e eu adormeço sentindo o coração dele batendo forte sob meu ouvido. Acordo cedo, antes mesmo do sol nascer direito, a claridade fraca entrando pela cortina entreaberta. Estico o braço pro lado da cama, mas encontro o lençol frio, vazio. Sento, confusa, procurando ele com os olhos pelo quarto. Visto minha calcinha e a camisa dele jogada no chão, e saio à procura, os pés descalços no carpete macio. Encontro ele na sala do quarto, já vestido, terno impecável, postura ereta demais pra alguém que, poucas horas atrás, gemia como se tivesse perdido o controle completo de si mesmo. Sorrio, ainda meio sonolenta, me aproximando. — Bom dia — falo, minha voz ainda rouca de sono. — Achei que tinha sumido. Ele não sorri de volta. Paro no meio do caminho, sentindo algo mudar no ar. Os olhos dele, que ontem me devoravam com um desejo quase animal, agora me encaram frios, distantes, como se eu fosse uma estranha qualquer que ele encontrou por acaso. — Precisamos conversar — ele diz, seco. — Tá... — Cruzo os braços, incerta. — Fala. — Vou ser direto com você... foi só uma noite. — As palavras saem dele como se fossem ensaiadas, sem emoção nenhuma. — Não vai se repetir. Não quero te ver de novo. O silêncio que segue é pesado, quase físico. Eu o encaro, tentando entender se ouvi direito, se aquilo é algum tipo de piada de mau gosto. Mas o rosto dele continua o mesmo, duro, fechado, sem nenhum traço do homem que me olhava como se eu fosse a única coisa que importava no mundo horas atrás. E então eu vejo. Bem no fundo dos olhos dele, alguma coisa luta contra o que ele acabou de dizer, um brilho quase desesperado, um lobo uivando por dentro contra a própria decisão. Ele me quer. Ainda me quer. Mas está me negando mesmo assim, e isso, isso me enfurece mais do que qualquer rejeição fria jamais poderia. Sinto meu rosto esquentar, a raiva subindo rápido, tomando conta de cada célula do meu corpo. — Sério? — solto uma risada seca, sem humor nenhum. — Achou mesmo que eu ia ficar aqui esperando você me chamar de novo? — Não é sobre isso — tenta falar, mas sou mais rápida. — Não interrompe — corto, a voz subindo. — Não precisa se preocupar, tá? Eu também não queria porra nenhuma com você além de ontem à noite. Foi bom, foi ótimo até, mas acaba aqui. Não precisa fingir que tá me fazendo um favor. Ele fica em silêncio, me encarando, e isso só aumenta minha vontade de gritar. Filho da puta, quem ele pensa que é? Ela acha que sou o que? Tento esconder tudo que estou sentindo, não vou surtar por causa disso. Por causa desse rico a besta. Volto para a cama e tiro essa roupa nojenta dele. Visto minha roupa apressada, o vestido branco de ontem parecendo pesar toneladas agora, cada movimento carregado de fúria. Calço os sapatos, pego minha bolsa, e quando passo por ele indo em direção à porta, paro só um segundo. — Você é um idiota rico, sabia? — cuspo as palavras. — Um mimado que acha que pode tratar as pessoas como lixo só porque tem dinheiro. Nem homem de verdade você é. Ele aperta a mandíbula, mas não diz nada, e isso me irrita ainda mais. — E ainda por cima um maldito lobo — sussurro, baixo o suficiente pra só ele ouvir, mas carregado de veneno. — Achei que fosse diferente. Que droga de erro. Saio do quarto batendo a porta, atravesso o corredor do hotel quase correndo, desço no elevador sozinha, encarando meu próprio reflexo no espelho, tentando não deixar as lágrimas de raiva escaparem. Assim que chego na rua, peço um táxi, e enquanto espero, sinto minha loba uivando de dor lá dentro, contrariando cada palavra de ódio que acabei de jogar nele. Eu o quero. Minha loba o quer, imensamente, de um jeito que não faz sentido nenhum pra alguém que conheci há poucas horas. Mas juro, ali mesmo, na calçada daquele hotel de luxo, que nunca mais vou me aproximar desse infeliz que nem sei o nome, ainda bem... Não quero saber de nada sobre ele. Foi um erro. O maior erro que cometi em muito tempo. E vou fazer questão de esquecer que ele um dia existiu.






