A Loba Que Morreu para Ser Livre.
A Loba Que Morreu para Ser Livre.
Por: Eva Belmont
Prólogo A Morte da Luna

O cheiro de fumaça ainda queimava no ar quando o primeiro uivo ecoou pela floresta.

A noite estava silenciosa demais. Pesada demais.

E no centro da clareira, iluminado apenas pela luz fria da lua cheia, um corpo jazia imóvel sobre as pedras escuras.

O vestido negro estava rasgado.

O sangue já havia secado.

E os longos cabelos prateados espalhavam-se como um véu sobre a terra.

Nyra.

A Luna da Alcateia da Lua Negra.

Morta.

— NÃO! — o rugido atravessou a floresta como um trovão.

O Alfa Draven caiu de joelhos ao lado do corpo dela, as mãos tremendo enquanto tocava o rosto frio da mulher que, até poucos dias atrás, era sua companheira destinada.

Sua Luna.

Seus dedos percorreram a pele pálida de Nyra como se tentassem encontrar qualquer sinal de vida.

Qualquer calor.

Qualquer respiração.

Nada.

— Nyra… — sua voz falhou, quebrada de um jeito que nenhum membro da alcateia jamais havia ouvido.

O Alfa da Lua Negra era conhecido por sua força.

Por sua crueldade em batalha.

Por nunca demonstrar fraqueza.

Mas naquele momento…

Ele parecia um homem destruído.

— Levante… — ele sussurrou, segurando o rosto dela entre as mãos. — Nyra… olhe para mim.

Silêncio.

Apenas o som do vento passando entre as árvores.

Atrás dele, os membros da alcateia assistiam em choque.

Alguns choravam.

Outros mantinham a cabeça baixa.

Porque todos sabiam.

Todos tinham visto.

Nos últimos meses, a Luna da alcateia havia sido tratada como uma sombra.

Ignorada.

Humilhada.

Abandonada.

Pelo próprio Alfa.

Draven apertou os olhos com força, tentando impedir as lágrimas que começavam a cair.

Mas era tarde demais.

— Não… — sua voz saiu rouca. — Não… isso não pode ser real…

Ele puxou o corpo dela contra o peito.

Frio.

Sem vida.

E naquele momento, algo dentro dele se despedaçou.

Um som baixo escapou de sua garganta.

Um som que não era humano.

Era o lobo.

O lobo que estava ligado àquela mulher desde o momento em que o destino os uniu.

E então aconteceu.

A dor veio.

Brutal.

Como se algo estivesse sendo arrancado de dentro dele.

Draven arfou, levando a mão ao peito.

Seu coração parecia estar sendo esmagado.

A ligação.

O vínculo.

O laço entre Alfa e Luna.

Ele estava… desaparecendo.

— NÃO! — ele gritou para o céu.

O uivo que saiu de sua garganta foi tão devastador que fez os lobos da alcateia recuarem.

Porque não era apenas dor.

Era culpa.

Memórias começaram a invadir sua mente.

Nyra sorrindo para ele.

Nyra esperando por ele nas noites em que ele não voltava.

Nyra tentando falar… enquanto ele a ignorava.

Nyra chorando.

E então…

Vespera.

O cheiro dela.

A presença dela.

As palavras doces que ela sussurrava em seus ouvidos.

Algo dentro da mente de Draven se quebrou naquele instante.

Como um vidro estilhaçando.

E de repente…

Ele viu tudo.

O feitiço.

A manipulação.

A névoa que havia tomado seus pensamentos.

Draven congelou.

Seu olhar caiu lentamente para o rosto sem vida de Nyra.

A mulher que ele havia jurado proteger.

A mulher que havia governado ao seu lado.

A mulher que ele havia…

Traído.

Seu peito começou a subir e descer de forma descontrolada.

— Nyra… — sua voz agora era apenas um sussurro quebrado.

Seus dedos deslizaram até a mão dela.

Fria.

Imóvel.

E naquele momento, ele percebeu algo ainda pior.

Ela estava sozinha quando morreu.

Sozinha.

Sem o Alfa que deveria protegê-la.

Sem o homem que deveria amá-la.

Draven pressionou a testa contra a dela, completamente destruído.

— Eu fiz isso… — ele murmurou, a voz carregada de horror. — Eu fiz isso com você…

A alcateia observava em silêncio absoluto.

Porque todos sabiam.

A morte da Luna não havia sido causada apenas pela doença.

Ou pelo destino.

Ela havia sido causada por um coração quebrado.

Draven fechou os olhos, abraçando o corpo dela com força.

E então prometeu, com a voz baixa e cheia de desespero:

— Eu encontrarei quem fez isso com você…

O vento soprou pela clareira.

As chamas da fogueira crepitaram.

E ninguém percebeu que, ao longe, nas sombras da floresta…

Havia pegadas.

Pegadas de lobo.

Frescas.

Como se alguém tivesse partido dali… ainda vivo.

Porque a verdade era algo que ninguém naquela clareira poderia imaginar.

Nyra não estava morta.

E a Luna da Lua Negra acabara de desaparecer para sempre.

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