Mundo de ficçãoIniciar sessãoAntes da dor.
Antes da traição.
Antes da morte que todos acreditariam ter acontecido…
Nyra era feliz.
A Lua cheia brilhava alta sobre a floresta da Alcateia da Lua Negra, iluminando as árvores antigas que cercavam o território. O vento frio da noite passava pelas folhas e trazia consigo o cheiro da terra úmida, da madeira e dos lobos.
Nyra caminhava lentamente pela varanda da grande casa da alcateia — a residência do Alfa e da Luna.
Seu vestido prateado balançava suavemente com o vento.
Os cabelos longos e claros, quase da cor da lua, escorriam por suas costas.
Ela observava a floresta em silêncio.
Sentia a presença deles.
Todos.
Os membros da alcateia.
Cada batimento de coração.
Cada respiração.
Era uma sensação que apenas uma Luna verdadeira possuía.
Mas naquela noite… algo parecia estranho.
Inquieto.
Seu lobo interior estava agitado.
— Você deveria estar dormindo.
A voz grave surgiu atrás dela, profunda como um trovão distante.
Nyra sorriu imediatamente.
Ela reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
Virou-se devagar.
E lá estava ele.
Draven.
O Alfa da Alcateia da Lua Negra.
Alto, imponente, com os cabelos escuros bagunçados e os olhos dourados brilhando sob a luz da lua. Seu corpo parecia feito para guerra e liderança, cada movimento carregado de autoridade natural.
Mas quando ele olhava para ela…
Havia algo mais suave.
Sempre houve.
— Eu poderia dizer o mesmo para você — Nyra respondeu com um pequeno sorriso.
Draven caminhou até ela, seus passos silenciosos apesar do tamanho.
Quando parou diante dela, ergueu a mão e afastou uma mecha do cabelo prateado que caía sobre seu rosto.
Um gesto simples.
Mas íntimo.
— A alcateia está em paz — ele disse. — Você não precisa ficar acordada se preocupando com todos.
Nyra ergueu uma sobrancelha.
— Eu sou a Luna.
Ele soltou um pequeno suspiro divertido.
— Exatamente por isso.
Draven passou os braços ao redor da cintura dela e a puxou para perto, pressionando seu corpo contra o dele.
O calor dele sempre a envolvia como um abrigo.
Nyra apoiou a cabeça contra o peito do Alfa, ouvindo o som firme do coração dele.
Era forte.
Estável.
Familiar.
Era o som que ela sempre acreditou que ouviria pelo resto da vida.
— Você está cansado — ela murmurou.
— Um pouco.
— Houve problemas na patrulha?
— Nada que eu não possa resolver.
Nyra inclinou o rosto para olhar para ele.
Os olhos dourados de Draven estavam fixos nela.
Por um segundo…
Parecia que ele estava tentando memorizar cada detalhe de seu rosto.
— O que foi? — ela perguntou suavemente.
Ele ficou em silêncio por um momento.
Então respondeu:
— Nada.
Mas Nyra conhecia aquele homem melhor do que qualquer pessoa.
E sabia quando ele estava escondendo algo.
Mesmo assim, ela não insistiu.
Em vez disso, levantou a mão e tocou o rosto dele.
— Você está distante ultimamente.
Draven franziu o cenho.
— Estou apenas ocupado.
— Draven…
Ele segurou a mão dela.
— Nyra — sua voz ficou firme — eu disse que está tudo bem.
O tom foi suave.
Mas havia algo diferente.
Algo que fez o coração dela apertar por um instante.
Ele nunca falava assim com ela.
Nunca.
Nyra respirou fundo e decidiu mudar de assunto.
— Amanhã teremos a reunião com os líderes das alcateias do norte.
— Eu sei.
— Você vai precisar descansar.
Draven assentiu, mas seu olhar parecia distante.
Como se sua mente estivesse em outro lugar.
Nyra tentou ignorar aquela sensação estranha que se espalhava dentro dela.
Nos últimos meses…
Ele estava diferente.
Mais frio.
Mais ausente.
Mas sempre que ela perguntava, ele dizia que era apenas o peso da liderança.
E ela acreditava nele.
Porque confiava nele.
Porque ele era seu companheiro destinado.
O homem que a deusa da lua havia escolhido para ela.
Draven inclinou a cabeça e beijou sua testa.
— Venha — ele disse. — Vamos dormir.
Nyra sorriu levemente.
— Finalmente você está ouvindo minha própria recomendação.
Ele soltou um pequeno riso.
Mas foi curto.
Rápido demais.
Como se algo estivesse errado.
Eles caminharam juntos para dentro da casa.
Nyra não percebeu.
Mas enquanto atravessavam o corredor…
O cheiro de um perfume estranho ainda pairava no ar.
Doce.
Desconhecido.
E definitivamente não pertencia a ela.
Nyra parou por um segundo.
Seu lobo interior reagiu imediatamente.
Um alerta silencioso.
Ela franziu a testa.
— Você sentiu isso? — perguntou.
Draven parou.
— O quê?
Nyra inspirou o ar novamente.
O cheiro já havia desaparecido.
Como se nunca tivesse estado ali.
Ela balançou a cabeça.
— Nada… talvez seja coisa da minha cabeça.
Draven observou o rosto dela por um momento.
Mas não disse nada.
Apenas continuou caminhando.
E naquela mesma noite…
Enquanto Nyra dormia ao lado do homem que amava…
Muito longe dali, escondida nas sombras da floresta…
Uma loba observava a casa da alcateia com um sorriso frio.
Seus olhos brilhavam na escuridão.
Vespera.
— Tudo está começando — ela murmurou.
Atrás dela, envolta em sombras mais profundas, uma figura encapuzada observava a lua.
A voz da mulher soou baixa.
Antiga.
Perigosa.
— Lembre-se — disse Velkara — quando a Luna cair… a alcateia também cairá.
Vespera sorriu ainda mais.
Seus olhos brilharam de ambição.
— Então vamos começar pela Luna.
E naquela mesma noite…
Sem que Nyra soubesse…
Seu destino já estava sendo destruído.







