A madrugada se acomodava sobre a cidade como um organismo vivo, respirando devagar, expandindo sombras, recolhendo sons. Não era silêncio — era uma suspensão. Como se tudo estivesse esperando alguma coisa acontecer, mesmo sem saber o quê. As luzes distantes piscavam em tons irregulares, e havia um cheiro de chuva antiga misturado com metal e concreto quente.
Ela caminhava sem pressa, mas com propósito. Cada passo tinha peso, não no corpo, mas na memória. Havia dias em que o passado vinha como u