O primeiro sinal de que algo estava realmente mudando veio de forma banal.
Não foi um presságio, nem uma revelação. Foi um atraso.
O pai não voltou no horário habitual. Quinze minutos, depois meia hora. A mãe fingiu não notar, mas o café esfriou na xícara sem ser tocado. Lyria percebeu. Ela vinha percebendo tudo com uma antecedência desconfortável, como se o mundo tivesse perdido o atraso natural entre causa e efeito.
Quando a porta finalmente se abriu, o silêncio da casa se reorganizou ao redo